O Brasil tem proporcionalmente mais usuários avançados de inteligência artificial do que a média dos países pesquisados, segundo o Work Trend Index 2026, divulgado pela Microsoft nesta quarta-feira (7). De acordo com o relatório, 27% dos brasileiros que usam IA estão em nível avançado, contra 16% na média global. O estudo se baseia em entrevistas com 20 mil trabalhadores em dez países e em sinais de produtividade do Microsoft 365.
A Microsoft chama esse grupo de profissionais de fronteira. São pessoas que vão além do uso básico de assistentes de texto: automatizam fluxos de trabalho com agentes de IA, montam sistemas com vários agentes, redesenham a própria rotina e identificam tarefas repetitivas que podem ser delegadas. Também ajudam a definir os padrões internos de uso da tecnologia nas equipes.
A matéria da Exame que reporta o levantamento afirma que o Brasil supera Estados Unidos, Japão e Índia nesse indicador. O texto, porém, só traz os números brasileiros e a média global. Os percentuais dos outros três países não aparecem, e a comparação direta depende do relatório completo da empresa.
O que os brasileiros dizem fazer com a IA
Segundo a Microsoft, 72% dos brasileiros afirmam executar hoje tarefas que não faziam um ano atrás por causa da IA. A média global é de 58%, e entre os profissionais de fronteira o índice chega a 80%. Quase 80% dos brasileiros também dizem temer ficar para trás se não aprenderem as ferramentas rapidamente, ante 65% no mundo.
O reconhecimento é menor do que o esforço. Apenas 16% dos brasileiros dizem ser recompensados por usar IA para transformar a forma de trabalhar, contra 13% na média global. A diferença é pequena, e nos dois casos a maioria dos trabalhadores não vê retorno direto pelo que muda na rotina.
Cultura da empresa pesa mais que o perfil do funcionário
O dado que a Microsoft coloca no centro do relatório é outro. De acordo com a empresa, cultura corporativa e apoio da liderança respondem por 67% do impacto na adoção da IA, enquanto comportamento e mentalidade individuais respondem por 32%. Segundo a companhia, o principal gargalo deixou de ser a habilidade técnica e passou a ser a capacidade de redesenhar o trabalho.
A análise de mais de 100 mil interações com o Microsoft 365 Copilot ajuda a explicar o que os usuários fazem na prática. Segundo o relatório, 49% das conversas envolvem trabalho cognitivo, como análise de informações e resolução de problemas. As competências mais valorizadas foram o controle de qualidade das respostas (50%) e o pensamento crítico (46%). A empresa também diz que o número de agentes de IA no Microsoft 365 cresceu 15 vezes em um ano.
O que muda para quem contrata e quem lidera
Se a liderança responde por dois terços do efeito, a decisão de adotar IA com resultado cabe mais a diretorias do que a funcionários isolados. Empresas que apenas liberam a ferramenta, sem metas, treinamento e algum tipo de reconhecimento, tendem a ficar com os 16% de recompensados que o próprio levantamento registra. Vale a ressalva de que o estudo foi feito pela Microsoft, que vende o Copilot, e que os dados vêm do relatório da empresa, sem verificação independente.



