quarta-feira, 7 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Microsoft: 27% dos brasileiros que usam IA já são nível avançado, contra 16% no mundo

O Work Trend Index 2026, da Microsoft, ouviu 20 mil trabalhadores em dez países e aponta que 27% dos brasileiros que usam IA estão em nível avançado. A média global é 16%, e a empresa diz que cultura e liderança pesam 67% na adoção.

Profissionais trabalhando com notebooks em um escritório
Estudo da Microsoft com 20 mil trabalhadores em dez países mede o uso avançado de IA no trabalho. Foto: Pexels / Felicity Tai

O Brasil tem proporcionalmente mais usuários avançados de inteligência artificial do que a média dos países pesquisados, segundo o Work Trend Index 2026, divulgado pela Microsoft nesta quarta-feira (7). De acordo com o relatório, 27% dos brasileiros que usam IA estão em nível avançado, contra 16% na média global. O estudo se baseia em entrevistas com 20 mil trabalhadores em dez países e em sinais de produtividade do Microsoft 365.

A Microsoft chama esse grupo de profissionais de fronteira. São pessoas que vão além do uso básico de assistentes de texto: automatizam fluxos de trabalho com agentes de IA, montam sistemas com vários agentes, redesenham a própria rotina e identificam tarefas repetitivas que podem ser delegadas. Também ajudam a definir os padrões internos de uso da tecnologia nas equipes.

A matéria da Exame que reporta o levantamento afirma que o Brasil supera Estados Unidos, Japão e Índia nesse indicador. O texto, porém, só traz os números brasileiros e a média global. Os percentuais dos outros três países não aparecem, e a comparação direta depende do relatório completo da empresa.

O que os brasileiros dizem fazer com a IA

Segundo a Microsoft, 72% dos brasileiros afirmam executar hoje tarefas que não faziam um ano atrás por causa da IA. A média global é de 58%, e entre os profissionais de fronteira o índice chega a 80%. Quase 80% dos brasileiros também dizem temer ficar para trás se não aprenderem as ferramentas rapidamente, ante 65% no mundo.

O reconhecimento é menor do que o esforço. Apenas 16% dos brasileiros dizem ser recompensados por usar IA para transformar a forma de trabalhar, contra 13% na média global. A diferença é pequena, e nos dois casos a maioria dos trabalhadores não vê retorno direto pelo que muda na rotina.

Cultura da empresa pesa mais que o perfil do funcionário

O dado que a Microsoft coloca no centro do relatório é outro. De acordo com a empresa, cultura corporativa e apoio da liderança respondem por 67% do impacto na adoção da IA, enquanto comportamento e mentalidade individuais respondem por 32%. Segundo a companhia, o principal gargalo deixou de ser a habilidade técnica e passou a ser a capacidade de redesenhar o trabalho.

A análise de mais de 100 mil interações com o Microsoft 365 Copilot ajuda a explicar o que os usuários fazem na prática. Segundo o relatório, 49% das conversas envolvem trabalho cognitivo, como análise de informações e resolução de problemas. As competências mais valorizadas foram o controle de qualidade das respostas (50%) e o pensamento crítico (46%). A empresa também diz que o número de agentes de IA no Microsoft 365 cresceu 15 vezes em um ano.

O que muda para quem contrata e quem lidera

Se a liderança responde por dois terços do efeito, a decisão de adotar IA com resultado cabe mais a diretorias do que a funcionários isolados. Empresas que apenas liberam a ferramenta, sem metas, treinamento e algum tipo de reconhecimento, tendem a ficar com os 16% de recompensados que o próprio levantamento registra. Vale a ressalva de que o estudo foi feito pela Microsoft, que vende o Copilot, e que os dados vêm do relatório da empresa, sem verificação independente.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.