A Meta suspendeu temporariamente o compartilhamento de conversas do Muse, seu novo agente de inteligência artificial, depois que pesquisadores da empresa de segurança Claroc identificaram uma falha capaz de expor dados pessoais e informações comerciais confidenciais. Segundo o Canaltech, a Claroc encontrou 6.800 links do Muse com uma única consulta a serviços comerciais de DNS passivo, sem que ninguém precisasse receber os endereços.
A Meta confirmou que desativou o recurso para investigar e corrigir o problema. A empresa ainda precisa revisar como o Muse gera e disponibiliza os endereços de compartilhamento.
O que havia nos links expostos
Os pesquisadores analisaram uma amostra do material. Nela, de acordo com o Canaltech, apareceram documentos financeiros internos enviados a CEOs, pedidos de empréstimo de pequenas empresas, relatórios imobiliários com endereços e valores de financiamento, alertas de fraude bancária com números parciais de conta e calendários completos de férias de funcionários.
A Claroc batizou a falha de GhostShares, em referência a páginas que pessoas que nunca receberam o link original conseguem encontrar. O CTO da empresa, Asaf Aprozper, disse que comunicou o problema ao programa de recompensa por falhas da Meta em 8 de outubro de 2026. Ele afirmou também que tentou contato pelo LinkedIn e não teve resposta antes de a imprensa questionar a Meta.
Por que o título da conversa virou o ponto fraco
O defeito está na forma como o Muse monta o endereço de compartilhamento. O app colocava o título da conversa no subdomínio do link, como em um endereço com o texto "home-sale-budget" seguido de um código. Quando alguém abria o link, a consulta de DNS ficava registrada em bases públicas que terceiros podem pesquisar.
Na prática, um link enviado a uma única pessoa deixava rastro em bancos de dados abertos, e o próprio título entregava o assunto da conversa. Quem pesquisava nessas bases chegava à lista de endereços sem precisar de senha ou convite.
Um app que cresceu rápido e pede acesso a muita coisa
O episódio atinge um produto em plena expansão. A Sensor Tower estimou, segundo a Exame, que o Muse passou de 10 milhões de downloads nos EUA em 40 dias desde a estreia, em 8 de setembro. A consultoria calculou 2,5 milhões de usuários ativos por dia em 16 de outubro. O Canaltech informa que o app chegou ao topo da lista de mais baixados da App Store com tarefas como preencher formulários, marcar compromissos, fazer compras e criar documentos.
Tarefas assim exigem acesso a várias contas pessoais. A Meta afirma que o usuário escolhe quais serviços conectar e que o agente pede autorização antes de ações sensíveis, como enviar e-mails ou comprar. Um mês antes, Mark Zuckerberg havia dito que o Muse foi construído com foco em privacidade e segurança.
Cerca de três semanas após o lançamento, o pesquisador Patrick Wardle já havia encontrado uma vulnerabilidade de dia zero que poderia permitir a outro aplicativo instalado assumir a conta do agente. A Meta minimizou o caso, com o argumento de que a exploração exigia um aparelho já comprometido.
O que fazer com conversas já compartilhadas
O Muse foi lançado nos EUA, e a Exame informa que o anúncio consultado não traz data de chegada ao Brasil. Para quem usa o app fora do país ou virá a usá-lo, a lição imediata é tratar qualquer link de compartilhamento de um agente de IA como público até que a Meta explique a correção. Conversas com dados de clientes, contratos ou informações bancárias devem ficar fora do recurso quando ele voltar.
A Meta não informou prazo para reativar o compartilhamento nem se vai notificar os usuários cujos links apareceram nas bases de DNS.



