A Meta liberou nesta sexta-feira (16) os pesos do Muse Spark Open, modelo de inteligência artificial voltado a programação e a tarefas autônomas executadas por agentes, segundo o Canaltech. O sistema está disponível para download e para acesso por API.
O modelo tem 816 bilhões de parâmetros, os valores numéricos que ajudam a IA a identificar padrões e gerar respostas. Desse total, 42 bilhões são ativados a cada tarefa processada. A janela de contexto chega a 1 milhão de tokens, e a arquitetura é multimodal.
O que cabe em dois Mac Studio
Para rodar o Muse Spark Open localmente, o desenvolvedor precisa de dois computadores Mac Studio com chips Apple M5 Ultra, de acordo com o Canaltech. Cada máquina aceita até 512 GB de memória compartilhada, e o modelo precisa de cerca de 1 TB para carregar todos os parâmetros. Somadas, as duas unidades oferecem até 1 TB de memória e 1,2 TB/s de largura de banda.
A execução em Apple Silicon depende da biblioteca MLX. Fora do ecossistema da Apple, o modelo é compatível com SGLang, vLLM, TensorRT-LLM, Hugging Face Transformers, llama.cpp e Unsloth, com otimizações para hardware da AMD, da Apple, da Intel e da Nvidia. O ajuste fino pode ser feito com PyTorch e TorchTitan.
Os pesos também estão listados no Hugging Face, no Amazon SageMaker AI, no Google Cloud Model Garden e no Microsoft Foundry Models. Ou seja, os três maiores provedores de nuvem do mercado já distribuem o modelo.
Demonstrações de programação e edição de vídeo
A Meta mostrou o Muse Code, ferramenta de programação construída sobre o Muse Spark Open. Em uma das demonstrações, o sistema alterou o Ice Cubes, cliente de código aberto do Mastodon para iOS, com correção de bugs, novos recursos e compilação completa do aplicativo.
Em outra, o modelo controlou o DaVinci Resolve para analisar vídeos quadro a quadro, escolher os melhores trechos e reenquadrá-los para o formato vertical. O Canaltech não informa notas em testes de desempenho nem comparações com modelos concorrentes, de modo que a capacidade real em tarefas comuns ainda depende de avaliação independente.
Licença, segurança e quem pode usar
O Muse Spark Open sai sob a Muse Model License, que traz condições específicas para uso comercial. De acordo com o Canaltech, a maioria dos desenvolvedores tem acesso gratuito. A reportagem não detalha os termos da licença nem informa preços do acesso por API.
A Meta afirma que o modelo passou por pós-treinamento voltado a segurança e foi avaliado pelo Meta Superintelligence Scaling Framework antes da publicação dos pesos. Para empresas brasileiras, a exigência de 1 TB de memória na execução local deixa a hospedagem em nuvem, nos três provedores citados, como caminho mais curto para testar o modelo. Quem optar pelo uso comercial precisa ler a licença antes de integrá-lo a produtos.



