sábado, 17 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Meta libera pesos do Muse Spark Open, de 816 bi de parâmetros, mas exige 2 Mac Studio para rodar

A Meta abriu os pesos de um modelo com 816 bilhões de parâmetros, 42 bilhões ativos por tarefa e janela de 1 milhão de tokens. Rodar em casa pede cerca de 1 TB de memória, o equivalente a dois Mac Studio com chip M5 Ultra.

Computador de mesa de alto desempenho usado para rodar modelos de inteligência artificial localmente
O Muse Spark Open pode ser executado localmente com dois Mac Studio equipados com chips Apple M5 Ultra, segundo o Canaltech. Foto: Pexels / Nana Dua

A Meta liberou nesta sexta-feira (16) os pesos do Muse Spark Open, modelo de inteligência artificial voltado a programação e a tarefas autônomas executadas por agentes, segundo o Canaltech. O sistema está disponível para download e para acesso por API.

O modelo tem 816 bilhões de parâmetros, os valores numéricos que ajudam a IA a identificar padrões e gerar respostas. Desse total, 42 bilhões são ativados a cada tarefa processada. A janela de contexto chega a 1 milhão de tokens, e a arquitetura é multimodal.

O que cabe em dois Mac Studio

Para rodar o Muse Spark Open localmente, o desenvolvedor precisa de dois computadores Mac Studio com chips Apple M5 Ultra, de acordo com o Canaltech. Cada máquina aceita até 512 GB de memória compartilhada, e o modelo precisa de cerca de 1 TB para carregar todos os parâmetros. Somadas, as duas unidades oferecem até 1 TB de memória e 1,2 TB/s de largura de banda.

A execução em Apple Silicon depende da biblioteca MLX. Fora do ecossistema da Apple, o modelo é compatível com SGLang, vLLM, TensorRT-LLM, Hugging Face Transformers, llama.cpp e Unsloth, com otimizações para hardware da AMD, da Apple, da Intel e da Nvidia. O ajuste fino pode ser feito com PyTorch e TorchTitan.

Os pesos também estão listados no Hugging Face, no Amazon SageMaker AI, no Google Cloud Model Garden e no Microsoft Foundry Models. Ou seja, os três maiores provedores de nuvem do mercado já distribuem o modelo.

Demonstrações de programação e edição de vídeo

A Meta mostrou o Muse Code, ferramenta de programação construída sobre o Muse Spark Open. Em uma das demonstrações, o sistema alterou o Ice Cubes, cliente de código aberto do Mastodon para iOS, com correção de bugs, novos recursos e compilação completa do aplicativo.

Em outra, o modelo controlou o DaVinci Resolve para analisar vídeos quadro a quadro, escolher os melhores trechos e reenquadrá-los para o formato vertical. O Canaltech não informa notas em testes de desempenho nem comparações com modelos concorrentes, de modo que a capacidade real em tarefas comuns ainda depende de avaliação independente.

Licença, segurança e quem pode usar

O Muse Spark Open sai sob a Muse Model License, que traz condições específicas para uso comercial. De acordo com o Canaltech, a maioria dos desenvolvedores tem acesso gratuito. A reportagem não detalha os termos da licença nem informa preços do acesso por API.

A Meta afirma que o modelo passou por pós-treinamento voltado a segurança e foi avaliado pelo Meta Superintelligence Scaling Framework antes da publicação dos pesos. Para empresas brasileiras, a exigência de 1 TB de memória na execução local deixa a hospedagem em nuvem, nos três provedores citados, como caminho mais curto para testar o modelo. Quem optar pelo uso comercial precisa ler a licença antes de integrá-lo a produtos.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.