quarta-feira, 21 de outubro de 2026 · Edição diária

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ONU cobra a Meta por IA e moderação que teriam restringido um lado da eleição a 4 dias do 2º turno

Quatro relatores independentes da ONU pediram que a Meta investigue se moderação, recomendação e IA limitaram de forma desproporcional um dos lados da disputa. O 2º turno é no dia 25, e a campanha de Lula move mais de 90 ações sobre redes.

Celular exibindo aplicativos de redes sociais da Meta
Relatores da ONU pediram à Meta que explique se seus sistemas de moderação e de IA restringiram conteúdo político na eleição brasileira. Foto: Pexels / Castorly Stock

Especialistas independentes da ONU pediram nesta quarta-feira (21) que a Meta investigue se seus sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial restringiram de forma desproporcional conteúdos de um dos lados da eleição presidencial brasileira, segundo o Poder360. O segundo turno entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) será no domingo, dia 25.

O comunicado é assinado por quatro relatores especiais: Leopoldo Maldonado Gutiérrez (liberdade de expressão), Margaret Satterthwaite (independência de juízes e advogados), Gina Romero (reunião pacífica e associação) e Andrea Bolaños Vargas (defensores de direitos humanos). O Grupo de Trabalho sobre Empresas e Direitos Humanos também assina. Eles foram nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, mas atuam de forma voluntária e independente, e suas opiniões não representam necessariamente a posição da organização.

O que os relatores pedem à Meta

O texto não cita candidatos pelo nome. Ele menciona interrupções temporárias da conta de campanha de um candidato, diferenças de engajamento, alcance e visualizações, restrições a publicações no Instagram e disparidades entre os principais partidos na geração de imagens por IA, nas buscas de canais do WhatsApp e nos Stories. Os relatores citam ainda monitoramentos que apontam milhares de contas e publicações com suspensões, perda de visibilidade e limites de compartilhamento, incluindo jornalistas, defensores de direitos humanos e criadores de conteúdo.

À empresa, pedem que avalie se houve restrição desproporcional, dê explicações e reparação a quem foi afetado, aplique as regras de forma consistente e sem discriminação, mantenha diálogo transparente com a sociedade civil e trate reclamações durante o período eleitoral. Os relatores escreveram que algoritmos, sistemas de IA e decisões de moderação não devem se tornar árbitros invisíveis do debate político. O comunicado não fixa prazo para resposta da Meta.

Os especialistas também fizeram um alerta ao Judiciário. Restrições à expressão política, inclusive em plataformas privadas, exigem devido processo e recursos efetivos, e juízes devem ter cautela especial ao analisar esses pedidos.

O que a campanha de Lula e a Meta já disseram

A campanha de Lula move mais de 90 ações sobre redes sociais, de acordo com o Poder360. A principal acusa a Meta de restringir o alcance das postagens do presidente e de não remover contas automatizadas que o atacam. A campanha recorreu contra a desabilitação de sua conta de anúncios, feita em 23 de setembro, levou o caso à OEA e chamou observadores internacionais do TSE para apresentar um relatório sobre suposto favorecimento a Flávio. O perfil de Lula também ficou impedido de impulsionar conteúdo no feed do Instagram entre 9 e a manhã de 10 de outubro, segundo o relato da reportagem.

O ministro Sidônio Palmeira afirmou que a Meta sempre beneficiou a extrema-direita e que a empresa está interferindo objetivamente nas eleições. Em 20 de outubro, o PT lançou um site para reunir queixas de censura e restrições de alcance.

Em nota de 16 de outubro, a Meta negou ter interferido ou favorecido candidatos. A empresa admitiu falhas técnicas temporárias que atingiram a campanha de Lula, mas disse que problemas também afetaram outros candidatos. Afirmou ainda que cerca de 70% das intervenções e restrições nas contas de Lula decorreram de decisões do TSE e chamou o processo de narrativa política. A empresa não se manifestou à reportagem até esta quarta.

O que vale até domingo

Um juiz do TSE já mandou a Meta aplicar as mesmas regras aos dois candidatos até o segundo turno e proibiu restrições desiguais a alcance, recomendações e buscas. O comunicado da ONU não tem força vinculante, mas leva a discussão sobre algoritmos eleitorais a um fórum internacional e aumenta a pressão sobre a plataforma nos últimos dias de campanha.

Na prática, a Meta chega à votação sob duas frentes: a ordem do TSE, que tem efeito imediato e multa, e a cobrança dos relatores, que depende de resposta voluntária. Para usuários e campanhas, a única regra com prazo explícito continua sendo a da Justiça Eleitoral, válida até 25 de outubro.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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