A OpenAI informou à Polícia Federal que ao menos dois usuários do ChatGPT demonstraram, em conversas com o chatbot, intenção de atacar ou ameaçar o presidente Lula (PT), candidato à reeleição em 2026. A empresa encerrou a conta de um dos usuários e enviou à corporação o histórico completo dos diálogos, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada nesta quinta-feira (15).
Segundo o jornal, esse usuário manteve conversas com o ChatGPT entre janeiro e setembro deste ano, período em que os relatos sobre o presidente ficaram mais específicos. Em setembro, ele contou ter visto Lula em um palco a cerca de 400 metros de distância, durante um evento de campanha, e disse ao chatbot que gostaria de atirar na cabeça do presidente. Em determinado momento, perguntou à ferramenta o que aconteceria se matasse o presidente e afirmou ter acesso a um fuzil de precisão, além de rotas de fuga do local. Ele também disse à IA que não possuía arma e que não chegaria a agir, segundo a Folha.
O que levou a OpenAI a acionar a polícia
A empresa afirmou que notifica autoridades quando identifica, em uma conversa, indícios de risco real de morte ou lesão física grave a terceiros. No caso do usuário que mencionou o fuzil, a OpenAI considerou haver motivo para o alerta mesmo diante da ressalva de que ele não teria arma nem pretendia agir, de acordo com a reportagem. A empresa também notificou o Tribunal Superior Eleitoral, em linha com um plano de conformidade eleitoral adotado para o período de votação.
No início de outubro, a Polícia Federal encaminhou a documentação enviada pela OpenAI ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado por Wellington César Lima e Silva, para que o órgão decida sobre a abertura de inquéritos por ameaça e injúria contra o presidente. A corporação é dirigida por Andrei Rodrigues, e o caso se soma a outras apurações sobre segurança de candidatos no período eleitoral. Pela OpenAI, o processo tramitou na área comandada por Bruno Lewicki, responsável pelas políticas públicas da empresa na América Latina.
Procurados pela Folha, o Ministério da Justiça e a Polícia Federal não se manifestaram sobre o caso até a publicação da reportagem.
O precedente que a OpenAI já havia aberto
A medida não é a primeira do tipo. Documentos enviados pela própria OpenAI a autoridades brasileiras já haviam motivado a prisão preventiva de um homem no Espírito Santo suspeito de planejar matar o próprio filho, depois de relatar a intenção em conversas com o ChatGPT, segundo a reportagem.
A pena que o caso pode gerar
Se a Polícia Federal e o Ministério da Justiça decidirem abrir inquérito, o usuário identificado pela OpenAI pode responder por ameaça, crime com pena prevista de detenção de um a seis meses ou multa, além de injúria contra o presidente da República. A decisão sobre o enquadramento cabe às autoridades a partir da documentação repassada pela empresa. Até a publicação da reportagem, a identidade do usuário não havia sido divulgada.



