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OpenAI diz que IA migra 97,9% do COBOL sem mudar o resultado, mas o teste é dela

Em avaliação própria, o GPT-6.1 Sol concluiu 97,9% das tarefas de conversão de programas COBOL mantendo o comportamento original. A própria OpenAI alerta que o código pode rodar e ainda assim entregar números diferentes.

Sala de servidores com equipamentos de grande porte usados em sistemas bancários
COBOL foi criada para processar dados de negócios e ainda sustenta aplicações financeiras, administrativas e governamentais. Foto: Pexels / Nicolas Foster

A OpenAI anunciou na segunda-feira (19) avanços de seus modelos em três linguagens antigas de programação: COBOL, Fortran e Visual Basic. Segundo a Exame, em um teste elaborado pela própria empresa, o GPT-6.1 Sol concluiu 97,9% das tarefas de uma avaliação de migração de COBOL, que mede se a IA consegue reescrever um programa em outra linguagem sem alterar o que ele faz.

O número chama atenção porque o COBOL foi criado para processar dados de negócios e continua sustentando aplicações financeiras, administrativas e governamentais. Bancos estão entre os principais usuários, e a dificuldade de manter esses sistemas é antiga.

O que a OpenAI mediu e o que ficou de fora

A empresa também publicou o MultiLangBench, um teste com código aberto no GitHub. Nele, a IA precisa construir uma versão funcional do SQLite, e o resultado é comparado com o software original. A Exame observa que os resultados vêm de avaliações da própria OpenAI, sem validação independente, e que não há garantia de desempenho igual em sistemas bancários reais.

A própria OpenAI aponta um risco concreto. Na conversão, o programa novo pode arredondar um valor que o original simplesmente truncava. O código roda sem erro, mas os números finais mudam, o que num sistema de pagamentos ou de juros é justamente o tipo de falha que passa despercebida.

Concorrentes e o gargalo de pessoal

A OpenAI não está sozinha. De acordo com a reportagem, a Anthropic apresenta o Claude Code como ferramenta para analisar programas antigos, documentar suas regras e convertê-los para Java e Python. A IBM oferece recursos de IA para explicar e reorganizar código, e diz que a modernização também envolve integração, dados e segurança. As propostas de Anthropic e IBM incluem etapas de teste.

O problema de pessoal já foi documentado. Em 2025, o órgão de fiscalização do governo dos Estados Unidos (GAO) relatou dificuldade para encontrar profissionais que mantenham sistemas antigos. Entre os casos mais críticos estavam programas do Tesouro americano que dependiam de COBOL e de Assembly.

Quanto do orçamento de TI vai para manter o que já existe

No Brasil, um estudo da TQI, da Fundação Dom Cabral e da Integratum, noticiado pela Exame em setembro, ouviu 51 organizações, em maioria grandes empresas. Entre elas, 76% gastam ao menos 70% do orçamento de tecnologia da informação para manter ambientes existentes. Sobra pouco para projetos novos.

Para quem administra um banco ou uma seguradora, a conta prática é a do teste. Uma taxa de 97,9% em avaliação própria não elimina a necessidade de rodar o programa antigo e o novo lado a lado, com os mesmos dados, e comparar centavo por centavo. Os 2,1% restantes e as diferenças de arredondamento é que decidem se a migração pode ir para produção.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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