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OpenAI quer US$ 30 bi antes da estreia da Anthropic na bolsa e mira valor de US$ 1,4 tri

A dona do ChatGPT negocia cerca de US$ 30 bilhões (R$ 163,5 bi) com SoftBank e MGX, segundo a Reuters, de olho na abertura de capital da Anthropic, marcada para meados de novembro.

Corredor de servidores em data center usado para treinar modelos de inteligência artificial
OpenAI e Anthropic disputam o mesmo dinheiro de fundos soberanos e investidores de longo prazo, num momento de forte gasto em infraestrutura de IA. Foto: Pexels / Google DeepMind

A OpenAI negocia uma nova rodada de cerca de US$ 30 bilhões (R$ 163,5 bilhões) que pode avaliar a empresa em mais de US$ 1,4 trilhão (R$ 7,63 trilhões), segundo a Reuters, em reportagem divulgada nesta segunda-feira (19) e reproduzida pelo Olhar Digital. A informação vem de pessoas familiarizadas com as conversas. OpenAI e SoftBank não comentaram.

Entre os nomes citados estão o SoftBank Group, o fundo soberano de Abu Dhabi MGX e outros apoiadores atuais. Na semana passada, a empresa também se reuniu com fundos de investimento de longo prazo e fundos soberanos. A operação deve andar mais rápido do que o habitual para uma captação desse tamanho.

Por que a pressa tem data

O motivo apontado pelas fontes da Reuters é a Anthropic, que tem estreia na bolsa prevista para meados de novembro de 2026. A OpenAI quer fechar a rodada antes que os números financeiros da concorrente, que se tornam públicos com o IPO, sirvam de régua direta. Também pesa a intenção de captar antes que parte do dinheiro dos fundos migre para a oferta da rival.

A própria OpenAI planeja abrir capital só em 2027. Até lá, o dinheiro novo reforça o balanço e financia compromissos de infraestrutura. A última avaliação divulgada foi de US$ 852 bilhões, em março, após uma rodada recorde de US$ 122 bilhões que incluiu compromisso da Amazon de até US$ 50 bilhões.

Receita, avaliação e uma disputa contábil

A OpenAI tem receita anualizada de US$ 50 bilhões (R$ 272,5 bilhões) e meta de chegar a US$ 70 bilhões até o fim do ano. A empresa atribui o avanço ao lançamento do GPT-6 Astra e diz ter reduzido o preço de seus modelos mais baratos, com sinalização de novos cortes.

A Anthropic tinha receita anualizada de cerca de US$ 65 bilhões em julho, de acordo com a Reuters. A receita trimestral subiu de US$ 11,6 bilhões no segundo trimestre para US$ 16,8 bilhões no terceiro, mas a desaceleração do crescimento mensal gerou questionamentos entre investidores. A empresa busca avaliação de US$ 2 trilhões, enquanto alguns investidores, atuais e potenciais, defendem algo perto de US$ 1,5 trilhão após resultados do terceiro trimestre abaixo do esperado.

Os números das duas não são comparáveis em tudo. A OpenAI registra receita líquida, descontando a parte dos parceiros, e acusa a Anthropic de inflar o faturamento ao contabilizar valores brutos de contratos vendidos por provedores de nuvem. A Anthropic afirma seguir práticas contábeis estabelecidas.

Quem paga a conta do dinheiro caro

A captação acontece com o mercado menos generoso. A Reuters descreve ações de tecnologia voláteis, juros longos em alta e escrutínio sobre o endividamento para construir data centers. A CoreWeave sofreu queda em ações e dívidas, com cerca de US$ 50 bilhões em empréstimos para expansão, e as empresas do índice Philadelphia Semiconductor perderam cerca de US$ 1,6 trilhão em valor de mercado em menos de duas semanas.

Outras ofertas foram retiradas ou suspensas: AirTrunk REIT, apoiada pela Blackstone, Firmus, apoiada pela Nvidia, e SB Energy, apoiada pelo SoftBank. A Holtec cancelou uma oferta nos EUA no mês passado. Para o investidor, a rodada da OpenAI e o IPO da Anthropic serão o teste de quanto o mercado aceita pagar por empresas que ainda queimam caixa para ampliar capacidade. Edward Best, do escritório Willkie Farr & Gallagher, descreveu o momento como uma corrida entre as duas pela abertura de capital.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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