sábado, 10 de outubro de 2026 · Edição diária

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CEO da Palantir diz que só técnicos e neurodivergentes têm futuro com IA e dá bolsa de US$ 5,4 mil

Alex Karp, de 59 anos, afirma que a IA vai eliminar vagas em humanas e que dislexia pode ser vantagem. A Palantir paga US$ 5.400 por mês a bolsistas da turma de outono de 2026, e outros executivos discordam dele.

Alex Karp, CEO da Palantir, durante evento
Alex Karp, CEO da Palantir, defende que formação técnica ou neurodivergência definem quem terá espaço no mercado de trabalho com IA. Foto: Presidencia de la República del Ecuador / Wikimedia Commons (Public domain)

Alex Karp, CEO da Palantir, afirmou que há apenas duas formas de ter futuro profissional na era da inteligência artificial: ter formação técnica ou ser neurodivergente. A declaração foi dada em março à TBPN e voltou à pauta nesta sexta-feira (9) em reportagem da Fortune republicada pelo InfoMoney.

Karp, de 59 anos, convive com dislexia e diz que a diferença cognitiva pode ser uma vantagem, mais pela forma de pensar do que pelo diagnóstico em si. Na avaliação dele, o sucesso tende a favorecer quem pensa de maneira diferente e aceita assumir riscos. O executivo tem três diplomas, entre eles um JD por Stanford e um PhD em Filosofia pela Universidade Goethe, na Alemanha.

O que Karp diz sobre humanas e ofícios

No Fórum Econômico Mundial de Davos, no início de 2026, Karp disse que a IA vai destruir empregos na área de humanas. A reportagem contrapõe essa fala à demanda por profissionais de ofícios, como eletricistas e encanadores. Segundo o texto, essas funções são difíceis de automatizar e estão mais procuradas por causa da construção de data centers e da falta de mão de obra nos Estados Unidos.

A neurodivergência, de acordo com a matéria, pode incluir condições como TDAH e autismo. Um estudo da Gartner citado pela Fortune prevê que um quinto das organizações de vendas da Fortune 500 vai recrutar ativamente talentos neurodivergentes até 2027.

As bolsas da própria Palantir

A empresa de Karp mantém dois programas que traduzem a tese em contratação. A Bolsa para Neurodivergentes busca pessoas que pensam de forma diferente, mas ser neurodivergente não é requisito para entrar na empresa. A Bolsa da Meritocracia mira recém-formados do ensino médio que não estão na faculdade.

Segundo o Wall Street Journal, a primeira turma da Meritocracia exigiu notas de nível Ivy League, recebeu mais de 500 candidatos e admitiu 22. Na turma do outono de 2026, os bolsistas recebem US$ 5.400 por mês de auxílio, e os melhores podem ganhar ofertas de emprego em tempo integral.

Quem discorda do CEO

A visão de Karp não é consenso entre as big techs. Jaime Teevan, cientista-chefe da Microsoft, defende disciplinas que ensinem a pensar, com destaque para a educação em artes liberais. Daniela Amodei, cofundadora da Anthropic, disse à ABC News em fevereiro que estudar humanas será mais importante do que nunca, e a empresa busca comunicadores e pessoas com inteligência emocional e empatia.

O que isso muda para quem está começando

A discussão ocorre num momento em que as vagas de nível inicial para a Geração Z estão diminuindo e o diploma deixou de ser garantia de emprego para muitos jovens, segundo a reportagem. Para quem decide carreira agora, as duas posições de peso trazem sinais opostos: a Palantir aposta em perfis técnicos e fora do padrão, enquanto Microsoft e Anthropic dizem valorizar raciocínio e comunicação. A reportagem original é da Fortune e não traz dados sobre o mercado brasileiro.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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