Alex Karp, CEO da Palantir, afirmou que há apenas duas formas de ter futuro profissional na era da inteligência artificial: ter formação técnica ou ser neurodivergente. A declaração foi dada em março à TBPN e voltou à pauta nesta sexta-feira (9) em reportagem da Fortune republicada pelo InfoMoney.
Karp, de 59 anos, convive com dislexia e diz que a diferença cognitiva pode ser uma vantagem, mais pela forma de pensar do que pelo diagnóstico em si. Na avaliação dele, o sucesso tende a favorecer quem pensa de maneira diferente e aceita assumir riscos. O executivo tem três diplomas, entre eles um JD por Stanford e um PhD em Filosofia pela Universidade Goethe, na Alemanha.
O que Karp diz sobre humanas e ofícios
No Fórum Econômico Mundial de Davos, no início de 2026, Karp disse que a IA vai destruir empregos na área de humanas. A reportagem contrapõe essa fala à demanda por profissionais de ofícios, como eletricistas e encanadores. Segundo o texto, essas funções são difíceis de automatizar e estão mais procuradas por causa da construção de data centers e da falta de mão de obra nos Estados Unidos.
A neurodivergência, de acordo com a matéria, pode incluir condições como TDAH e autismo. Um estudo da Gartner citado pela Fortune prevê que um quinto das organizações de vendas da Fortune 500 vai recrutar ativamente talentos neurodivergentes até 2027.
As bolsas da própria Palantir
A empresa de Karp mantém dois programas que traduzem a tese em contratação. A Bolsa para Neurodivergentes busca pessoas que pensam de forma diferente, mas ser neurodivergente não é requisito para entrar na empresa. A Bolsa da Meritocracia mira recém-formados do ensino médio que não estão na faculdade.
Segundo o Wall Street Journal, a primeira turma da Meritocracia exigiu notas de nível Ivy League, recebeu mais de 500 candidatos e admitiu 22. Na turma do outono de 2026, os bolsistas recebem US$ 5.400 por mês de auxílio, e os melhores podem ganhar ofertas de emprego em tempo integral.
Quem discorda do CEO
A visão de Karp não é consenso entre as big techs. Jaime Teevan, cientista-chefe da Microsoft, defende disciplinas que ensinem a pensar, com destaque para a educação em artes liberais. Daniela Amodei, cofundadora da Anthropic, disse à ABC News em fevereiro que estudar humanas será mais importante do que nunca, e a empresa busca comunicadores e pessoas com inteligência emocional e empatia.
O que isso muda para quem está começando
A discussão ocorre num momento em que as vagas de nível inicial para a Geração Z estão diminuindo e o diploma deixou de ser garantia de emprego para muitos jovens, segundo a reportagem. Para quem decide carreira agora, as duas posições de peso trazem sinais opostos: a Palantir aposta em perfis técnicos e fora do padrão, enquanto Microsoft e Anthropic dizem valorizar raciocínio e comunicação. A reportagem original é da Fortune e não traz dados sobre o mercado brasileiro.



