segunda-feira, 12 de outubro de 2026 · Edição diária

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IA mais avançada exige profissional mais especializado, mostra estudo com 758 consultores

Pesquisa publicada na revista Organization Science com 758 consultores de uma empresa global mostra que a IA generativa eleva a produtividade, mas também aumenta a cobrança por conhecimento técnico para revisar o que a ferramenta entrega.

Profissional trabalhando com notebook em escritório, usando ferramenta de inteligência artificial
Estudo com 758 consultores mostra que o uso de IA generativa no trabalho exige conhecimento técnico para evitar erros. Foto: Pexels

Um estudo com 758 consultores de uma empresa global, publicado na revista científica Organization Science, mostra que a inteligência artificial generativa melhora a produtividade em tarefas específicas, mas reduz a qualidade do trabalho quando aplicada fora do domínio em que a ferramenta tem bom desempenho. A pesquisa foi citada pela Exame em reportagem publicada nesta segunda-feira (12), que descreve o que chama de paradoxo da IA: ferramentas mais avançadas aumentam, em vez de reduzir, a necessidade de profissionais especializados.

O levantamento acompanhou como os consultores usam modelos de IA generativa no trabalho diário. Quando a tarefa está dentro do que a ferramenta consegue executar bem, o ganho de produtividade aparece de forma consistente. Fora desse domínio, a qualidade do resultado cai, porque o profissional tende a confiar na resposta da IA sem perceber o erro.

Por que o domínio técnico pesa mais

Um segundo estudo, publicado na revista Management Science e também citado pela Exame, chega a uma conclusão complementar: o domínio de ferramentas algorítmicas potencializa a experiência profissional, em vez de substituí-la. De acordo com a pesquisa, o ganho de produtividade é maior quando o profissional já tem conhecimento técnico suficiente para avaliar se a resposta da IA faz sentido. Sem essa base, o erro passa despercebido por quem usa a ferramenta.

O mesmo estudo recomenda que o uso dessas ferramentas seja disseminado entre especialistas de diferentes áreas dentro das empresas, não apenas entre equipes de tecnologia. A ideia é evitar que o ganho de produtividade da IA fique restrito a um único grupo de profissionais.

A reportagem da Exame, assinada pela jornalista Denise Gabrielle, resume essa mudança ao dizer que entregar uma resposta deixou de ser a única etapa de uma tarefa. Segundo o texto, a etapa que ganhou peso é a de revisar, validar e assumir a responsabilidade pelo que a ferramenta produz.

O tempo economizado na execução vai para a revisão

Essa mudança atinge diretamente quem usa IA generativa para pesquisa, redação de textos e geração de código, tarefas que, de acordo com a Exame, passaram de horas para minutos com as ferramentas atuais. O tempo que antes era gasto na execução, segundo a reportagem, passou a ser direcionado para a conferência do resultado entregue pela IA.

Quem sai na frente na disputa por vagas

Para quem está construindo carreira, a conclusão dos dois estudos citados pela Exame aponta em uma direção: dominar a ferramenta de IA não substitui o conhecimento técnico da área, porque depende dele para funcionar bem. Profissionais capazes de revisar e corrigir o que a IA produz tendem a se diferenciar no mercado de trabalho. Quem usa a ferramenta sem essa capacidade de verificação fica mais exposto a erros que passam sem controle.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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