O Produto Interno Bruto da China cresceu 4,5% no terceiro trimestre de 2026, acima da previsão do consenso, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (19) e reportados pela CNN Brasil e pelo InfoMoney. O resultado acelera a economia depois do ritmo mais fraco dos últimos três anos. No acumulado de janeiro a setembro, a alta é de 4,6%.
A produção industrial subiu 5,5% em setembro. As vendas no varejo, porém, voltaram a ficar atrás da produção, e a demanda das famílias continua o ponto fraco da economia.
Exportações compensam o consumo fraco
As exportações chinesas cresceram mais de um terço, de acordo com dados da semana anterior. A pauta vai de carne de frango e produtos de beleza a carros elétricos e casas pré-fabricadas. A China caminha para superar o superávit comercial de US$ 1,2 trilhão registrado no ano passado.
Em setembro, o superávit com a Alemanha e com a França subiu mais de 200% na comparação com o mesmo mês de 2025. A União Europeia e a China concordaram em limitar as vendas de carros híbridos chineses ao bloco, mas Bruxelas planeja novas restrições.
Parte das fabricantes que havia transferido a produção para fora do país está voltando, porque as tarifas dos Estados Unidos sobre produtos chineses se aproximaram das aplicadas ao Vietnã. O empresário Zhang Chao, que fabrica faróis de motocicleta, quase deixou de vender no mercado interno. Segundo ele, os pedidos do exterior dobraram este ano, e a concorrência na China é tão forte que não há lucro.
Imóveis, investimento e guerra de preços
O investimento em ativos fixos caiu 7,2% entre janeiro e setembro. O setor imobiliário continua em recessão e reduziu de forma relevante a riqueza das famílias nos últimos cinco anos. A inflação ao consumidor ficou moderada, e a demanda fraca intensificou a disputa de preços, que levou empresas a cortar custos, inclusive com folha de pagamento.
Mao Shengyong, do Departamento de Estatística, disse que o resultado foi conquistado com dificuldade e reconheceu um desenvolvimento desequilibrado e inadequado. Alta tecnologia, economia digital e serviços modernos responderam por mais de 40% do crescimento do período.
O que o dado indica para a meta e para o comércio global
Analistas esperam que Pequim cumpra a meta de 2026, entre 4,5% e 5,0%, sem novos estímulos, apoiada no início de ano forte e em medidas fiscais e monetárias recentes, ainda que modestas. Desde o fim de setembro, o governo ampliou crédito barato para infraestrutura e tecnologia, subsídios para hipotecas e repasses a governos locais. Economistas citados pela CNN Brasil dizem que as medidas afastam o risco de ficar abaixo da meta, mas atuam sobre a oferta, não sobre o consumo.
Andy Ji, da ITC Markets, afirmou que a demanda interna ainda não é autossustentável e que o mercado imobiliário não mostra sinais de estabilização. O ANZ avaliou que a economia está mais exposta ao ambiente externo do que os formuladores gostariam, e apontou tensões comerciais e protecionismo como riscos. Michelle Lam, do Société Générale, disse que a expansão das exportações chinesas não é ilimitada e que, sem apoio à renda das famílias, o país pode ficar preso a inflação baixa e crescimento abaixo da média.
Para exportadores e indústrias de outros países, o efeito prático é a pressão de preços de produtos chineses em mercados como o europeu, que já discute novos limites. O InfoMoney registra ainda que o iuan se valorizou e chegou ao nível mais alto desde julho de 2022.



