quarta-feira, 30 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

79% dos profissionais de tecnologia admitem exagerar seu conhecimento em IA no currículo

Segundo a Pluralsight, 79% dos profissionais de tecnologia e 91% dos executivos seniores inflam o que sabem de IA, enquanto 66% dos líderes dizem que não contratam sem essa habilidade.

Candidato entrega currículo a recrutador durante entrevista de emprego
Pesquisas citadas pela Exame indicam que empresas passaram a cobrar habilidades práticas em inteligência artificial dos candidatos. Foto: Pexels / Anna Shvets

Quase oito em cada dez profissionais de tecnologia admitem exagerar o conhecimento que têm em inteligência artificial, de acordo com pesquisa da Pluralsight de 2025 citada em reportagem publicada pela Exame nesta quarta-feira (30). Entre executivos seniores, o índice sobe para 91%. A habilidade que as empresas mais pedem virou também a mais inflada nos currículos.

A reportagem reúne levantamentos de diferentes instituições para mostrar que a pressão por competência em IA cresceu mais rápido do que a capacidade de comprovar esse domínio. O resultado é um mercado em que o candidato declara mais do que sabe e o recrutador tem dificuldade para checar.

O que as pesquisas mostram sobre o exagero

Um estudo da Express Employment Professionals em parceria com a Harris Poll, de 2026, ouviu gestores de contratação nos Estados Unidos. Segundo o levantamento, 86% deles afirmam que a IA facilitou o exagero de habilidades em currículos. A própria ferramenta ajuda a redigir descrições mais atraentes do que a experiência real.

A Monster analisou 25.000 currículos por ano e encontrou crescimento forte no vocabulário do tema. Termos ligados a IA apareciam em 3,7% dos documentos em 2023 e chegaram a 12,8% em 2025. A pesquisa mede a presença das palavras, e não a profundidade do conhecimento por trás delas.

Por que o candidato se sente pressionado a inflar

Os dados de Microsoft e LinkedIn explicam parte do incentivo. De acordo com as duas empresas, 66% dos líderes dizem que não contratariam alguém sem habilidades em IA, e 71% preferem um candidato com menos experiência, mas com domínio da tecnologia, a outro mais experiente sem ela. O LinkedIn também aponta que a alfabetização em IA está entre as competências que mais crescem e que 70% das habilidades de trabalho podem mudar até 2030.

Nesse ambiente, declarar familiaridade com ChatGPT ou Copilot passou a ser quase obrigatório. O problema é que usar uma ferramenta de vez em quando e aplicá-la ao trabalho são coisas diferentes, e as empresas começam a distinguir as duas.

Quem paga a conta do currículo inflado

A Microsoft analisou em 2026 dados de uso do Copilot de 20.000 trabalhadores em dez países, o que indica que as empresas já buscam medir o uso real, e não a declaração. A reportagem da Exame cita exemplos de competências práticas cobradas, como usar IA em planilhas do Excel e em painéis do Power BI.

Para o candidato, o risco é ser reprovado em teste prático ou desligado no período de experiência depois de ter sido contratado pelo que escreveu. Para a empresa, o custo é uma vaga preenchida por quem não entrega a produtividade esperada. Quem consegue mostrar projetos, resultados e rotinas concretas com IA tende a se separar de quem apenas lista a palavra no currículo.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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