Quase oito em cada dez profissionais de tecnologia admitem exagerar o conhecimento que têm em inteligência artificial, de acordo com pesquisa da Pluralsight de 2025 citada em reportagem publicada pela Exame nesta quarta-feira (30). Entre executivos seniores, o índice sobe para 91%. A habilidade que as empresas mais pedem virou também a mais inflada nos currículos.
A reportagem reúne levantamentos de diferentes instituições para mostrar que a pressão por competência em IA cresceu mais rápido do que a capacidade de comprovar esse domínio. O resultado é um mercado em que o candidato declara mais do que sabe e o recrutador tem dificuldade para checar.
O que as pesquisas mostram sobre o exagero
Um estudo da Express Employment Professionals em parceria com a Harris Poll, de 2026, ouviu gestores de contratação nos Estados Unidos. Segundo o levantamento, 86% deles afirmam que a IA facilitou o exagero de habilidades em currículos. A própria ferramenta ajuda a redigir descrições mais atraentes do que a experiência real.
A Monster analisou 25.000 currículos por ano e encontrou crescimento forte no vocabulário do tema. Termos ligados a IA apareciam em 3,7% dos documentos em 2023 e chegaram a 12,8% em 2025. A pesquisa mede a presença das palavras, e não a profundidade do conhecimento por trás delas.
Por que o candidato se sente pressionado a inflar
Os dados de Microsoft e LinkedIn explicam parte do incentivo. De acordo com as duas empresas, 66% dos líderes dizem que não contratariam alguém sem habilidades em IA, e 71% preferem um candidato com menos experiência, mas com domínio da tecnologia, a outro mais experiente sem ela. O LinkedIn também aponta que a alfabetização em IA está entre as competências que mais crescem e que 70% das habilidades de trabalho podem mudar até 2030.
Nesse ambiente, declarar familiaridade com ChatGPT ou Copilot passou a ser quase obrigatório. O problema é que usar uma ferramenta de vez em quando e aplicá-la ao trabalho são coisas diferentes, e as empresas começam a distinguir as duas.
Quem paga a conta do currículo inflado
A Microsoft analisou em 2026 dados de uso do Copilot de 20.000 trabalhadores em dez países, o que indica que as empresas já buscam medir o uso real, e não a declaração. A reportagem da Exame cita exemplos de competências práticas cobradas, como usar IA em planilhas do Excel e em painéis do Power BI.
Para o candidato, o risco é ser reprovado em teste prático ou desligado no período de experiência depois de ter sido contratado pelo que escreveu. Para a empresa, o custo é uma vaga preenchida por quem não entrega a produtividade esperada. Quem consegue mostrar projetos, resultados e rotinas concretas com IA tende a se separar de quem apenas lista a palavra no currículo.



