Profissionais com habilidades em inteligência artificial recebem, em média, 62% a mais do que colegas sem essas competências na mesma função, de acordo com o AI Jobs Barometer 2026, levantamento anual da PwC divulgado nesta sexta-feira (9) e relatado pela Exame. Na edição anterior, o prêmio era de 57%.
O estudo analisou mais de 1 bilhão de anúncios de vagas em 27 países e territórios. A PwC cruzou esses anúncios com informações financeiras das empresas e com as tarefas que compõem cada ocupação. Por prêmio salarial, a consultoria entende a diferença de remuneração entre quem tem uma habilidade e quem não tem, para o mesmo tipo de trabalho.
Vagas com IA crescem quase oito vezes mais que o mercado
Segundo a PwC, as vagas que pedem competências específicas em IA cresceram 69% desde 2019. O mercado de trabalho como um todo avançou 9% no mesmo intervalo, o que torna o ritmo das vagas de IA quase oito vezes maior. Desde 2024, o número de anúncios que exigem essas habilidades quase dobrou.
A diferença aparece também na folha de pagamento das empresas. Nas companhias mais expostas à IA, os salários cresceram 24%. Nas menos expostas, o avanço foi de 17%.
O prêmio varia de 16% a 118% conforme o setor
O valor da habilidade muda bastante de acordo com a área. Em mercados de consumo, o prêmio chega a 118%. No setor público, fica em 16%. O texto da Exame associa a variação ao grau em que cada atividade já incorpora a tecnologia na rotina de trabalho.
A PwC também observa que a IA não afeta todas as funções da mesma forma. Em ocupações como radiologista e recrutador, a tecnologia passa a exigir mais conhecimento especializado. Em outras, ela facilita tarefas para quem tem menos experiência. Um exemplo citado é o do analista financeiro que usa IA para organizar dados e testar hipóteses.
Habilidades humanas como julgamento, criatividade e liderança, de acordo com o levantamento, ganham espaço ao lado da tecnologia, e não no lugar dela.
O que o estudo não diz sobre o Brasil
A matéria da Exame não traz números específicos para o mercado brasileiro, e o texto disponível não detalha o recorte por país. Quem lê o 62% como um valor para o Brasil extrapola o que foi publicado. O dado é uma média entre os 27 países e territórios da amostra.
Para empresas e trabalhadores, o ponto de partida prático é o que a própria reportagem descreve: usar IA em tarefas de rotina, como resumir relatórios, redigir rascunhos de e-mails, organizar planilhas e preparar apresentações, sem exigir conhecimento de programação. A Exame lembra ainda que sistemas de IA generativa podem errar ou inventar informações, e que os resultados precisam ser conferidos.
Como a PwC publica o barômetro todos os anos, a próxima edição vai mostrar se o prêmio de 62% se mantém, sobe ou recua. A passagem de 57% para 62% em um ano indica que, por enquanto, a demanda por essas habilidades avança mais rápido do que a oferta de profissionais.



