terça-feira, 20 de outubro de 2026 · Edição diária

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Dona da Shopee lança a Sea Cloud e estuda IPO do Monee, que já tem R$ 8 bi em crédito no Brasil

A Sea, controladora da Shopee, criou uma unidade de nuvem para empresas e IA e avalia abrir o capital do Monee, braço financeiro que faturou US$ 1,4 bilhão no segundo trimestre, alta de 58,9%.

Corredor de servidores em um data center de computação em nuvem
A Sea Cloud nasce da infraestrutura que a Sea usou por cerca de uma década para operar Shopee, Garena e Monee. Foto: Pexels / Brett Sayles

A Sea, holding de Cingapura dona da Shopee e da Garena, lançou nesta terça-feira (20) a Sea Cloud, unidade de computação em nuvem voltada a empresas e a aplicações de inteligência artificial. O anúncio consta de um memorando interno do CEO, Forrest Li, aos funcionários, segundo reportagem do NeoFeed que cita o The Wall Street Journal. No mesmo texto, Li disse que a empresa avalia um IPO do Monee, seu braço de serviços financeiros.

O memorando coincide com os nove anos da estreia da Sea na bolsa de Nova York, em 20 de outubro de 2017, quando a companhia levantou US$ 884 milhões. Li escreveu que os três negócios do grupo (e-commerce, games e finanças) têm bom tamanho, são lucrativos e continuam crescendo.

O que a Sea Cloud vende

De acordo com Li, a plataforma foi construída ao longo de cerca de dez anos e sustentou os três negócios do grupo. Ele afirmou que ela entrega custo e confiabilidade que a Sea não conseguiria comprar de terceiros. A empresa a reconstruiu para rodar aplicações de IA e agora a oferece ao mercado.

O CEO comparou o momento ao início do foco da Shopee em celulares, quando concorrentes ainda pensavam em sites. Segundo ele, levar uma ideia de IA do papel à produção está muito mais rápido do que há dois anos. A Sea já lançou aplicativos com IA embutida e fechou acordos recentes com parceiros como a OpenAI para o e-commerce.

No Brasil, o segmento já tem ocupantes. A Magalu lançou sua divisão de nuvem no fim de 2023 e tem mais de 1.700 clientes ativos, e a AWS, da Amazon, é a referência do setor. Em agosto, a Alibaba anunciou a chegada oficial de sua unidade de nuvem ao país.

Monee: o braço financeiro que pode abrir capital

Li disse que o Monee está perto de poder operar de forma independente e que um IPO poderia dar à empresa recursos e espaço para crescer mais rápido do que hoje. A unidade atua no Sudeste Asiático e na América Latina e foi o negócio que mais cresceu nos últimos trimestres.

No segundo trimestre de 2026, o Monee teve receita de US$ 1,4 bilhão, alta de 58,9% sobre um ano antes. A receita total da Sea subiu 48,1%, para US$ 7,8 bilhões. No Brasil, relatório do BTG Pactual mostrou que o Monee tinha em agosto carteira de crédito consolidada de cerca de R$ 8 bilhões, 208% acima de doze meses antes. Na fintech brasileira, porém, o Mercado Pago, do Mercado Livre, segue na liderança, segundo o NeoFeed.

Quem disputa o mesmo cliente

A Sea vale US$ 54,1 bilhões, e suas ações acumulam queda de cerca de 31% em 2026. Na Ásia, enfrenta o TikTok Shop, da ByteDance, e a Lazada, da Alibaba. No Brasil, o páreo inclui Mercado Livre, Amazon e Magazine Luiza. Na semana passada, a Magalu anunciou que passará a vender produtos na Shopee, como já fazia em Amazon e Mercado Livre.

Para o varejista e a empresa brasileira que já vendem na Shopee, o efeito imediato é de oferta: a plataforma que hoje cobra comissão pode passar a vender também infraestrutura de IA e, se o IPO sair, crédito com capital próprio mais robusto. O memorando não traz prazo para a abertura de capital do Monee nem preços da Sea Cloud, e a empresa não detalhou quando o serviço chega ao mercado brasileiro.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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