quarta-feira, 14 de outubro de 2026 · Edição diária

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Um quarto das empresas financeiras já liga bônus e promoção ao domínio de IA, mostra pesquisa

Pesquisa da Selby Jennings com 500 profissionais do setor financeiro aponta que cerca de 25% das empresas atrelam aumento, bônus ou promoção à proficiência em IA, e 42% já têm critérios formais para medir isso.

Operadores em um pregão de Wall Street, em Nova York
Empresas do setor financeiro nos EUA passaram a incluir o uso de IA nos critérios de remuneração e promoção, segundo a Selby Jennings. Foto: Pexels / Andres Daza

Quase um quarto das empresas do setor financeiro já condiciona aumentos, bônus ou promoções à proficiência em inteligência artificial. O dado vem de uma pesquisa da Selby Jennings, empresa de recrutamento, divulgada nesta quarta-feira (14) pela Reuters e republicada pela CNN Brasil.

A pesquisa ouviu 500 executivos do setor financeiro, segundo a Reuters. Um resumo do relatório no site da Selby Jennings descreve a amostra como profissionais de recursos humanos do setor, uma diferença de descrição que não altera os percentuais, mas que a reportagem não conseguiu esclarecer com a empresa.

Como o uso de IA entra na avaliação

O levantamento mostra que a IA saiu do campo da experimentação e entrou na avaliação individual. Entre as empresas ouvidas, 30% exigem que os funcionários informem quais ferramentas de IA usam nas avaliações de desempenho. Outras 42% já adotaram critérios formais para medir as habilidades de cada funcionário com a tecnologia.

Dylan Gomez, diretor executivo da Selby Jennings, afirmou à Reuters que as empresas deixaram de apenas verificar se os funcionários usam ferramentas de IA. A cobrança agora é por resultado, e o uso passou a pesar na carreira de quem trabalha em bancos, gestoras e outras instituições financeiras.

Falta uma régua para o dinheiro

Apesar do avanço, o próprio Gomez disse que ainda não existe um modelo estabelecido para definir quanto da remuneração deve ficar atrelado ao uso de IA. Segundo ele, a expectativa é que esses critérios estejam mais definidos até o ano que vem.

Na prática, isso significa que os 25% de empresas que já usam o fator nos contratos fazem isso sem padrão de mercado. Cada instituição decide o peso do domínio de IA na remuneração, e o funcionário não tem uma referência comum para comparar com o que se paga em outras casas.

A cobrança sobre o retorno do investimento

A pesquisa também aponta uma pressão do lado de quem paga a conta da tecnologia. Segundo a Reuters, 30% das empresas criaram equipes ou funções específicas para verificar se os investimentos em IA geram resultado. A mudança ocorre em um momento em que as instituições financeiras buscam medir o retorno concreto do que gastam com a tecnologia.

Ligar bônus e promoção ao uso de IA é uma das formas de forçar a adoção, e as equipes de acompanhamento são a forma de checar se o uso produz resultado. Os dois movimentos aparecem na mesma amostra e indicam que as financeiras querem cobrar tanto dos funcionários quanto dos projetos.

O que isso muda para quem trabalha em banco

Os dados são do mercado financeiro americano e a Reuters não detalha recortes por país, mas o setor financeiro brasileiro compete pelos mesmos profissionais e usa as mesmas ferramentas. Para quem trabalha em bancos e financeiras, a consequência prática é que declarar o uso de IA e comprovar ganho de produtividade tende a entrar na conversa sobre aumento e promoção. Segundo Gomez, a definição de quanto isso vale em dinheiro deve ficar mais clara só no ano que vem.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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