Quase um quarto das empresas do setor financeiro já condiciona aumentos, bônus ou promoções à proficiência em inteligência artificial. O dado vem de uma pesquisa da Selby Jennings, empresa de recrutamento, divulgada nesta quarta-feira (14) pela Reuters e republicada pela CNN Brasil.
A pesquisa ouviu 500 executivos do setor financeiro, segundo a Reuters. Um resumo do relatório no site da Selby Jennings descreve a amostra como profissionais de recursos humanos do setor, uma diferença de descrição que não altera os percentuais, mas que a reportagem não conseguiu esclarecer com a empresa.
Como o uso de IA entra na avaliação
O levantamento mostra que a IA saiu do campo da experimentação e entrou na avaliação individual. Entre as empresas ouvidas, 30% exigem que os funcionários informem quais ferramentas de IA usam nas avaliações de desempenho. Outras 42% já adotaram critérios formais para medir as habilidades de cada funcionário com a tecnologia.
Dylan Gomez, diretor executivo da Selby Jennings, afirmou à Reuters que as empresas deixaram de apenas verificar se os funcionários usam ferramentas de IA. A cobrança agora é por resultado, e o uso passou a pesar na carreira de quem trabalha em bancos, gestoras e outras instituições financeiras.
Falta uma régua para o dinheiro
Apesar do avanço, o próprio Gomez disse que ainda não existe um modelo estabelecido para definir quanto da remuneração deve ficar atrelado ao uso de IA. Segundo ele, a expectativa é que esses critérios estejam mais definidos até o ano que vem.
Na prática, isso significa que os 25% de empresas que já usam o fator nos contratos fazem isso sem padrão de mercado. Cada instituição decide o peso do domínio de IA na remuneração, e o funcionário não tem uma referência comum para comparar com o que se paga em outras casas.
A cobrança sobre o retorno do investimento
A pesquisa também aponta uma pressão do lado de quem paga a conta da tecnologia. Segundo a Reuters, 30% das empresas criaram equipes ou funções específicas para verificar se os investimentos em IA geram resultado. A mudança ocorre em um momento em que as instituições financeiras buscam medir o retorno concreto do que gastam com a tecnologia.
Ligar bônus e promoção ao uso de IA é uma das formas de forçar a adoção, e as equipes de acompanhamento são a forma de checar se o uso produz resultado. Os dois movimentos aparecem na mesma amostra e indicam que as financeiras querem cobrar tanto dos funcionários quanto dos projetos.
O que isso muda para quem trabalha em banco
Os dados são do mercado financeiro americano e a Reuters não detalha recortes por país, mas o setor financeiro brasileiro compete pelos mesmos profissionais e usa as mesmas ferramentas. Para quem trabalha em bancos e financeiras, a consequência prática é que declarar o uso de IA e comprovar ganho de produtividade tende a entrar na conversa sobre aumento e promoção. Segundo Gomez, a definição de quanto isso vale em dinheiro deve ficar mais clara só no ano que vem.



