Pesquisadores da Symantec descobriram um agente de inteligência artificial capaz de executar ciberataques de forma autônoma, sem intervenção humana, segundo reportagem do Canaltech publicada nesta quarta-feira (21). A ferramenta usa uma técnica chamada LLMjacking para tomar modelos de IA expostos na internet e pode realizar até 100 mil ações maliciosas, como procurar alvos, explorar falhas, roubar senhas e instalar mineradores de criptomoedas.
A descoberta saiu de um experimento com honeypot de IA, um serviço deliberadamente desprotegido que serve de isca para atacantes e permite estudar suas técnicas. De acordo com o Canaltech, o sistema recebeu mais de 127 mil requisições externas, vindas de dezenas de milhares de endereços IP. A equipe Threat Hunter da Symantec capturou as instruções completas do agente e mapeou seu funcionamento.
Como funciona o sequestro de modelos
LLMjacking é o uso não autorizado de grandes modelos de linguagem que estão acessíveis na internet. O agente varre a rede atrás de servidores de IA, frameworks hospedados pelo próprio usuário, gateways e serviços ligados ao protocolo MCP. Quando encontra um, usa a capacidade de computação da vítima sem pagar nada.
A vantagem para o criminoso é dupla. Os custos de uso do modelo recaem sobre quem deixou o serviço aberto, e o atacante não se identifica por meio de contas próprias, que um provedor poderia bloquear.
74 ferramentas e ordens disfarçadas
As instruções interceptadas listam cerca de 74 ferramentas, para mapear redes, explorar estruturas web, extrair bancos de dados, roubar senhas e controlar botnets, as redes de dispositivos infectados. Para driblar as proteções de modelos comerciais, o agente usa instruções em camadas que apresentam ações maliciosas, como a coleta de credenciais, como tarefas legítimas de desenvolvimento de software.
Um dos pedidos analisados trazia código disfarçado para instalar um minerador da criptomoeda Monero no computador infectado. O script também escondia o programa e apagava registros de atividade do sistema, o que dificulta a identificação do ataque.
O que a Symantec considera novo
A própria Symantec avalia que as técnicas isoladas não são novidade. O problema, segundo a análise citada pelo Canaltech, está na integração de várias capacidades em um único agente. Em vez de convencer um chatbot público a produzir conteúdo malicioso por meio de engenharia de prompt, os criminosos conectaram modelos de IA a ferramentas de ataque.
Nessa divisão de trabalho, a IA planeja as etapas e decide como chegar ao objetivo, enquanto ferramentas especializadas fazem as operações técnicas. O criminoso define a meta e o agente coordena o resto, sem aprovação a cada passo. Segundo a reportagem, a automação reduz o conhecimento técnico necessário para conduzir campanhas de exploração em larga escala.
Quem fica com a conta
Para empresas que testam modelos próprios ou conectam agentes a sistemas internos, o achado aponta um risco concreto: um servidor de IA exposto pode virar infraestrutura gratuita de ataque, com a fatura de computação e a responsabilidade pelo tráfego malicioso caindo na organização dona do serviço. A reportagem do Canaltech não traz uma lista de medidas de defesa, e a Symantec não é citada com recomendações específicas no texto.



