quarta-feira, 30 de setembro de 2026 · Edição diária

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Tarifaço: EUA vão enviar proposta e criam grupo de trabalho com o Brasil após 40 minutos com Greer

Itamaraty e MDIC informaram que Washington mandará, nas próximas semanas, um documento com o escopo da negociação. A sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros segue em vigor enquanto o grupo de trabalho não começa.

Contêineres em porto de carga, símbolo do comércio entre Brasil e Estados Unidos
Brasil e EUA decidiram criar um grupo de trabalho para discutir as tarifas americanas sobre produtos brasileiros. Foto: Pexels / Wolfgang Weiser

Os governos do Brasil e dos Estados Unidos decidiram criar um grupo de trabalho para discutir as tarifas aplicadas por Washington sobre produtos brasileiros, informaram nesta quarta-feira (30) o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A decisão saiu de uma reunião de cerca de 40 minutos, em Milwaukee, entre os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa e o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer.

Segundo a nota conjunta, o governo de Donald Trump deve encaminhar nas próximas semanas um documento com a proposta de escopo dos trabalhos. O texto vai tratar de questões tarifárias e não tarifárias. Não há data fixada para o envio, e a nota não detalha o que a proposta conterá.

O que ficou combinado em Milwaukee

O encontro ocorreu à margem da reunião de ministros do Comércio do G20. De acordo com a reprodução da nota publicada pelo Poder360, foi a segunda reunião ministerial bilateral dedicada ao tema desde que as tarifas entraram em vigor. As conversas haviam sido retomadas em agosto.

O grupo de trabalho terá a função de discutir os temas ligados a um possível acordo comercial bilateral. Na prática, ele só começa a andar depois que o documento americano chegar, porque é esse texto que vai delimitar o que está na mesa. A expressão usada na nota, "possível acordo", indica que ainda não há compromisso de fechar um entendimento.

A sobretaxa que continua valendo

Os produtos brasileiros pagam hoje uma sobretaxa adicional de 25%, aplicada em julho de 2026 com base na Seção 301 da legislação comercial americana. Segundo o resumo da Agência Brasil, há ainda sobretaxas de 10% ou 12,5% para importações associadas a trabalho forçado. Nada na nota indica redução ou suspensão dessas tarifas durante a negociação.

O caminho até Milwaukee teve três etapas. Lula e Trump conversaram por telefone em 21 de agosto. Por volta de 31 de agosto, ministros e técnicos dos dois países fizeram uma reunião virtual. A reunião presencial desta quarta é a terceira dessa sequência e a primeira a produzir uma estrutura formal de trabalho.

Quem espera pela proposta

Exportadores brasileiros atingidos pela sobretaxa seguem sem prazo para alívio. Enquanto os EUA não enviarem o documento, o grupo de trabalho não tem pauta definida, e a tarifa de 25% continua encarecendo a venda dos produtos no mercado americano. A inclusão de temas não tarifários no escopo prometido sugere que Washington quer discutir, além de alíquotas, regras e barreiras que afetam o comércio entre os dois países.

O governo brasileiro terá de avaliar a proposta assim que ela chegar. As fontes consultadas não informam quem integrará o grupo de trabalho nem com que frequência ele se reunirá. Esses pontos dependem do texto americano e de nova rodada entre as equipes.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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