Os governos do Brasil e dos Estados Unidos decidiram criar um grupo de trabalho para discutir as tarifas aplicadas por Washington sobre produtos brasileiros, informaram nesta quarta-feira (30) o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A decisão saiu de uma reunião de cerca de 40 minutos, em Milwaukee, entre os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa e o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer.
Segundo a nota conjunta, o governo de Donald Trump deve encaminhar nas próximas semanas um documento com a proposta de escopo dos trabalhos. O texto vai tratar de questões tarifárias e não tarifárias. Não há data fixada para o envio, e a nota não detalha o que a proposta conterá.
O que ficou combinado em Milwaukee
O encontro ocorreu à margem da reunião de ministros do Comércio do G20. De acordo com a reprodução da nota publicada pelo Poder360, foi a segunda reunião ministerial bilateral dedicada ao tema desde que as tarifas entraram em vigor. As conversas haviam sido retomadas em agosto.
O grupo de trabalho terá a função de discutir os temas ligados a um possível acordo comercial bilateral. Na prática, ele só começa a andar depois que o documento americano chegar, porque é esse texto que vai delimitar o que está na mesa. A expressão usada na nota, "possível acordo", indica que ainda não há compromisso de fechar um entendimento.
A sobretaxa que continua valendo
Os produtos brasileiros pagam hoje uma sobretaxa adicional de 25%, aplicada em julho de 2026 com base na Seção 301 da legislação comercial americana. Segundo o resumo da Agência Brasil, há ainda sobretaxas de 10% ou 12,5% para importações associadas a trabalho forçado. Nada na nota indica redução ou suspensão dessas tarifas durante a negociação.
O caminho até Milwaukee teve três etapas. Lula e Trump conversaram por telefone em 21 de agosto. Por volta de 31 de agosto, ministros e técnicos dos dois países fizeram uma reunião virtual. A reunião presencial desta quarta é a terceira dessa sequência e a primeira a produzir uma estrutura formal de trabalho.
Quem espera pela proposta
Exportadores brasileiros atingidos pela sobretaxa seguem sem prazo para alívio. Enquanto os EUA não enviarem o documento, o grupo de trabalho não tem pauta definida, e a tarifa de 25% continua encarecendo a venda dos produtos no mercado americano. A inclusão de temas não tarifários no escopo prometido sugere que Washington quer discutir, além de alíquotas, regras e barreiras que afetam o comércio entre os dois países.
O governo brasileiro terá de avaliar a proposta assim que ela chegar. As fontes consultadas não informam quem integrará o grupo de trabalho nem com que frequência ele se reunirá. Esses pontos dependem do texto americano e de nova rodada entre as equipes.
Fontes consultadas
- g1 Política — Tarifaço: EUA devem enviar ao Brasil proposta de negociação, diz equipe de Lula após reunião com representante de Trump
- Poder360 — Governo Lula e EUA criam grupo para discutir tarifas e acordo comercial
- Agência Brasil (via Tiosam) — Brasil e EUA criam grupo específico para negociar tarifaço



