A Tesla divulgou nesta quarta-feira (21), depois do fechamento do mercado americano, um balanço do terceiro trimestre em que o lucro ajustado e o caixa superaram as projeções, enquanto o lucro contábil recuou 43%. Segundo a Exame, o fluxo de caixa livre ficou positivo em US$ 1,5 bilhão, ante uma queima de US$ 4,5 bilhões prevista no consenso compilado pela área de relações com investidores da própria empresa.
O lucro por ação ajustado foi de US$ 0,48, acima dos US$ 0,45 esperados pela FactSet e abaixo dos US$ 0,50 do mesmo trimestre de 2025. A receita somou US$ 28 bilhões, praticamente estável em relação ao ano anterior e em linha com as estimativas.
Lucro contábil encolhe com despesas e opções
O lucro líquido pelas regras contábeis americanas (GAAP) caiu 43%, para US$ 787 milhões, ou US$ 0,22 por ação. As despesas operacionais subiram 39%, para US$ 4,8 bilhões. Pesquisa e desenvolvimento avançou 69%, para US$ 2,8 bilhões, e as despesas administrativas e de vendas cresceram 29%, para US$ 2 bilhões.
A remuneração em ações chegou a US$ 1,2 bilhão, alta de 76%, número que inclui o pacote de Elon Musk aprovado em 2025. Uma perda de US$ 142 milhões com a participação na SpaceX também pesou. O resultado operacional caiu 56%, para US$ 718 milhões, e a margem operacional foi de 5,8% para 2,6%.
Pelo lado da margem bruta, houve melhora: o total subiu de 18% para 19,6%. A margem automotiva sem créditos regulatórios foi de 18,1%, contra 15,4% um ano antes e cerca de 17% esperados pelo mercado. Os créditos regulatórios, por sua vez, despencaram 73%, para US$ 113 milhões.
Carros e energia perdem receita; serviços crescem
A receita com veículos recuou 3%, para US$ 20,6 bilhões. As entregas caíram 2%, para 486.532 unidades, e o preço médio foi menor. A área de energia faturou US$ 2,9 bilhões, queda de 16%, em parte por reembolsos a clientes ligados a tarifas, segundo a Tesla. Já o segmento de serviços e outros cresceu 33%, para US$ 4,6 bilhões, com lucro bruto recorde de US$ 734 milhões.
A empresa informou 1,74 milhão de assinaturas ativas do FSD, sistema de direção assistida, alta de 67%. Mais de 75% dos carros novos entregues na América do Norte saíram com o recurso. O serviço de robotáxi com o Cybercab começou em Austin, no Texas, em 3 de setembro, e a frota acumula quase 2 milhões de milhas sem supervisão. A produção do robô humanoide Optimus começou em Fremont, e a do caminhão Semi, em Nevada.
O que pesa no quarto trimestre
O caixa total subiu 9%, para US$ 45,4 bilhões, mas parte do resultado veio do capital de giro. Cerca de US$ 2,6 bilhões vieram dessa fonte, com o prazo médio de pagamento a fornecedores passando de 52 para 66 dias e a receita diferida crescendo US$ 1,3 bilhão. A Exame observa que esse efeito pode se reverter nos próximos períodos.
O investimento também deve acelerar. Os gastos de capital mais que dobraram, para US$ 4,7 bilhões, abaixo dos US$ 7,8 bilhões do consenso. A Tesla prevê mais de US$ 25 bilhões em 2026 e já havia gasto US$ 13 bilhões até setembro, o que exige cerca de US$ 12 bilhões no quarto trimestre. O fluxo de caixa livre do trimestre ficou 62% abaixo do registrado no terceiro trimestre de 2025.
O documento de resultados não menciona a possível fusão com a SpaceX. Um dia antes, na teleconferência da SpaceX, Musk confirmou que as duas empresas criaram comitês consultivos independentes para estudar a operação e disse que tratá-la como certa seria exagero. As ações da Tesla fecharam a quarta-feira a US$ 386,47, alta de 3,41% no dia e queda de 11,8% no ano. No after market, subiam pouco mais de 1%.



