O senador republicano Thom Tillis afirmou neste domingo (11) que o acordo do presidente Donald Trump com a Rússia para o fornecimento de diesel pode violar a legislação americana de sanções a Moscou, segundo o Valor Econômico. A declaração ocorre duas semanas depois de Trump sancionar uma lei que ia na direção contrária: apertar o cerco às receitas de petróleo e gás da Rússia durante a guerra na Ucrânia.
Em entrevista ao programa Meet the Press, da NBC, Tillis disse acreditar que existe motivo legítimo para considerar que o presidente não está seguindo a lei. Questionado se Trump estava descumprindo a legislação, o senador respondeu que acredita que sim. Ele afirmou não ser o único republicano incomodado com o acordo e disse que vai condicionar seu apoio a outras prioridades do governo, como o orçamento de defesa, a uma revisão da política para a Rússia.
O acordo que devolveu o diesel russo ao mercado global
Trump anunciou o entendimento na sexta-feira (9), em meio à pressão para reduzir o preço dos combustíveis antes das eleições de meio de mandato americanas, previstas para novembro. Segundo relatos de agências internacionais, a Rússia se comprometeu a enviar 300 mil toneladas de diesel de forma imediata ao mercado global, com um lote adicional de 500 mil toneladas programado para novembro.
O movimento contraria a lei de sanções que o próprio Trump havia assinado no mês anterior, batizada em homenagem ao senador Lindsey Graham. O texto previa tarifas de até 100% sobre países que comprassem petróleo e gás russos e tinha como objetivo cortar o financiamento da guerra da Rússia contra a Ucrânia.
A licença do Tesouro que abre uma janela até 2027
Dias após o anúncio, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu uma licença geral autorizando transações com diesel de origem russa até 7 de abril de 2027, o que suspende parte das sanções em vigor contra Moscou. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que o governo usaria todas as autoridades legais disponíveis para viabilizar o fornecimento.
Tillis não é o único nome do Partido Republicano incomodado com a decisão. As senadoras Susan Collins, do Maine, e Lisa Murkowski, do Alasca, além do senador John Curtis, de Utah, também registraram preocupação com o acordo, de acordo com o Valor Econômico. Entre os democratas, Jeanne Shaheen e Richard Blumenthal criticaram publicamente o entendimento com o governo russo.
O que trava no Congresso enquanto o diesel chega
A posição de Tillis tem peso porque ele vincula seu voto a outras pautas que o governo Trump precisa aprovar no Senado antes do fim do ano, caso do orçamento de defesa e dos projetos de financiamento de fim de ano. Na prática, a disputa sobre o diesel russo passa a funcionar como moeda de troca em votações que o próprio governo depende para fechar a agenda legislativa de 2026.
Enquanto a disputa segue no Congresso, a licença do Tesouro já está em vigor e o primeiro lote de diesel russo segue autorizado a circular pelo mercado internacional. O caso expõe uma divisão dentro do próprio partido de Trump sobre até onde a Casa Branca pode ir para baixar o preço dos combustíveis sem furar a legislação que ela mesma ajudou a aprovar meses antes.



