O Tribunal Superior Eleitoral admitiu a ação de investigação judicial eleitoral apresentada por Flávio Bolsonaro (PL) e pelo vice Alfredo Gaspar (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice Geraldo Alckmin (PSB) por causa do desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026. A decisão é do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, de sexta-feira (18).
A petição também cita a primeira-dama Janja Lula da Silva, o então presidente da Embratur Marcelo Freixo e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT). Admitir a AIJE não julga o mérito: o corregedor entendeu que Flávio e Gaspar têm legitimidade e que os fatos narrados podem, em tese, configurar abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação. Os investigados têm cinco dias para apresentar defesa após a notificação.
Na peça, Flávio e Gaspar alegam que municípios do Rio e de Niterói, o estado do Rio e a Embratur destinaram cerca de R$ 9,6 milhões à escola depois do anúncio do enredo, em julho de 2025, e apontam receitas privadas ainda sem esclarecimento. Também afirmam que o desfile foi transmitido em TV aberta por cerca de 79 minutos e ficou disponível em plataformas digitais, o que teria dado exposição antecipada à chapa petista.
Os autores pedem cassação do registro ou do diploma da chapa Lula/Alckmin e inelegibilidade por oito anos, além de depoimentos de Janja, Freixo e Neves. Em fevereiro, o plenário do TSE já havia negado liminares para barrar preventivamente o desfile, sob o argumento de censura prévia, mas deixou aberta a apuração posterior de eventuais ilícitos.
A Acadêmicos de Niterói desfilou em 15 de fevereiro de 2026 com o enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil". Lula acompanhou do camarote e chegou a descer à pista. A escola terminou em último no Grupo Especial e foi rebaixada. O caso segue agora na fase de defesa e, depois, na análise de provas.



