quinta-feira, 15 de outubro de 2026 · Edição diária

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Lula leva ao TSE teste que mostra IA da Meta recusando apoio a ele, mas liberando a Flávio

Nova petição da campanha de Lula ao TSE mostra que a IA da Meta recusa gerar imagem de apoio a ele, mas aceita o mesmo pedido para Flávio Bolsonaro, e aponta que um vídeo de Nikolas Ferreira teve 56,1 milhões de visualizações no Instagram contra 369,4 mil no TikTok.

Luiz Inácio Lula da Silva durante atividade de campanha em outubro de 2026
A campanha de Lula apresentou ao TSE, em 14 de outubro de 2026, uma nova petição contra a Meta. Foto: Republic of Korea / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma nova petição contra a Meta em 14 de outubro. O documento, segundo o Valor Econômico, amplia a representação aberta cinco dias antes. Agora questiona também o alcance das publicações do deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG) no Instagram e no Facebook e apresenta testes que, de acordo com os advogados do petista, mostram viés da inteligência artificial da Meta disponível no WhatsApp.

A primeira representação, de 9 de outubro, já acusava a empresa de restringir a entrega de conteúdos de Lula e de aliados do mesmo campo político, com métricas em queda e vídeos bloqueados sem explicação. No dia seguinte, o relator do caso, ministro Marco Aurélio Bellizze, determinou que a Meta preservasse registros do episódio e informasse quais medidas foram aplicadas aos perfis citados. O ministro ainda não analisou o mérito do pedido. A empresa admitiu falhas técnicas nos anúncios do presidente, mas negou qualquer viés ideológico em seus algoritmos.

O vídeo de Nikolas comparado a Beyoncé e Neymar

Na nova petição, os advogados de Lula citam um vídeo publicado por Nikolas Ferreira que teria alcançado 56,1 milhões de visualizações no Instagram, contra apenas 369,4 mil no TikTok. Para a equipe jurídica, essa diferença não aparece nos perfis de celebridades com projeção internacional, como a cantora Beyoncé, a influenciadora Kylie Jenner e o jogador de futebol Neymar.

Os advogados argumentam que o alcance desproporcional recai, em boa parte, sobre publicações de Nikolas que fazem campanha a favor de Flávio Bolsonaro (PL) e contra o presidente. No texto, afirmam que não pedem tratamento específico para o perfil do deputado, apenas que o mesmo critério de distribuição de conteúdo valha para os dois lados da disputa no segundo turno.

Testes apontam bloqueio seletivo na IA do WhatsApp

A petição também detalha testes feitos pela própria campanha na ferramenta de inteligência artificial da Meta, integrada ao WhatsApp e a outras plataformas da empresa. Segundo os advogados, a IA recusa gerar imagens com declaração de voto em Lula ou que usem a imagem dele, mas aceita o mesmo tipo de pedido quando o nome indicado é Flávio Bolsonaro.

Para a equipe jurídica, essa diferença mostra que a ferramenta trata de forma desigual os dois lados da disputa eleitoral. A petição argumenta que situações equivalentes não podem receber tratamentos opostos: qualquer que seja o critério adotado pela Meta para distribuir conteúdo de parlamentares e cabos eleitorais no segundo turno, ele precisa ser o mesmo para os dois lados da disputa.

O prazo que o TSE tem antes do segundo turno

O ministro Bellizze ainda não decidiu se vai conceder a tutela de urgência pedida pela campanha, que pretende obrigar a Meta a interromper a distribuição desigual e recompor o engajamento perdido. A eleição está nos últimos dias antes do segundo turno, de modo que qualquer decisão sobre o algoritmo da empresa chega perto do fim do período em que ela pode afetar a visibilidade dos candidatos nas redes.

Até o TSE julgar o mérito, a Meta mantém a posição de que as oscilações no alcance decorrem de problemas técnicos, não de critérios ligados às candidaturas. A campanha de Lula aposta nos dados sobre Nikolas Ferreira e nos testes feitos na IA do WhatsApp para tentar convencer o tribunal a agir antes do fechamento das urnas.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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