A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral informou à presidência da Corte que não identificou, entre os dias 2 e 11 de outubro, as publicações com fake news que a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atribuiu ao canal 'Exército do Lula', no WhatsApp. O documento foi produzido depois de o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspender o canal no domingo, dia 11, a pedido da campanha de Flávio, decisão revertida horas depois pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. Segundo O Globo e o Valor Econômico, a conclusão técnica contraria a base factual usada por Nunes Marques para justificar o bloqueio.
O canal é administrado pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG) e reúne mais de 3 milhões de integrantes. O grupo funciona como ferramenta de mobilização digital da campanha de reeleição de Lula. De acordo com o Brasil de Fato, a campanha de Flávio pediu a exclusão do grupo depois de apontar publicações que diziam que o senador retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, o ligavam a milícias e a lavagem de dinheiro e sugeriam corte em benefícios sociais.
O que a análise técnica rastreou
O levantamento da área técnica do TSE examinou textos, prévias de links e áudios transcritos publicados no canal entre 2 e 11 de outubro. A análise não cobriu, porém, a transcrição integral de vídeos nem de outros áudios compartilhados no grupo, de acordo com o Conjur. O documento afirma que não foram localizadas, entre as publicações do canal no período, reproduções das afirmações examinadas nos autos do processo aberto pela campanha de Flávio.
A divergência expõe uma disputa dentro do próprio TSE a poucos dias do segundo turno entre Lula e Flávio. Nunes Marques determinou a saída do canal do ar no domingo, e Cueva anulou a decisão monocraticamente horas depois, com pedido de julgamento urgente do caso pelo plenário virtual da Corte.
A reação da campanha de Flávio
A campanha de Flávio rejeitou a conclusão da área técnica e divulgou nota em que classificou como grave a manutenção do canal no ar. Segundo o Times Brasil, a nota diz que é estarrecedora a adoção de decisões que revelam complacência com a disseminação de fake news a favor de Lula.
O senador afirmou que vai apresentar um novo relatório ao TSE, agora alegando que o canal usa estratégias para escapar do monitoramento, como a exclusão sistemática de mensagens, a fragmentação de conteúdo em links externos e a burla aos limites de compartilhamento do WhatsApp. A campanha argumenta que essa conduta viola o plano de conformidade firmado entre o TSE e a Meta.
Quem decide o caso agora
O caso segue agora para julgamento do plenário virtual do TSE, que vai decidir se o canal de Janones permanece no ar até o fim da campanha e se há responsabilidade da coligação de Lula por eventual descumprimento das regras eleitorais. Até a decisão final, o grupo volta a funcionar normalmente no WhatsApp. O relatório técnico que não encontrou as fake news apontadas por Flávio deve pesar no voto dos ministros.
Fontes consultadas
- O Globo — Área técnica do TSE diz não ter identificado postagens com fake news citadas por Flávio em canal de apoiadores de Lula
- Valor Econômico — TSE diz não ter identificado fake news apontadas por Flávio Bolsonaro no canal 'Exército do Lula'
- Brasil de Fato — Área técnica do TSE diz não ter achado 'notícias falsas' citadas por Flávio Bolsonaro em canal de Janones
- Conjur — Técnicos do TSE não encontram conteúdo falso em canal de apoio a Lula
- Times Brasil — Campanha de Flávio Bolsonaro acusa Justiça Eleitoral de tolerar fake news e vai apresentar novo relatório



