terça-feira, 13 de outubro de 2026 · Edição diária

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Técnicos do TSE não encontram fake news apontadas por Flávio em canal de Janones com 3 milhões de membros

Documento da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE diz que não localizou, entre 2 e 11 de outubro, as publicações que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) classificou como fake news no canal 'Exército do Lula', administrado por André Janones.

Fachada do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília
Área técnica do TSE analisou publicações do canal 'Exército do Lula' entre 2 e 11 de outubro de 2026. Foto: Pexels

A Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral informou à presidência da Corte que não identificou, entre os dias 2 e 11 de outubro, as publicações com fake news que a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atribuiu ao canal 'Exército do Lula', no WhatsApp. O documento foi produzido depois de o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspender o canal no domingo, dia 11, a pedido da campanha de Flávio, decisão revertida horas depois pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. Segundo O Globo e o Valor Econômico, a conclusão técnica contraria a base factual usada por Nunes Marques para justificar o bloqueio.

O canal é administrado pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG) e reúne mais de 3 milhões de integrantes. O grupo funciona como ferramenta de mobilização digital da campanha de reeleição de Lula. De acordo com o Brasil de Fato, a campanha de Flávio pediu a exclusão do grupo depois de apontar publicações que diziam que o senador retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, o ligavam a milícias e a lavagem de dinheiro e sugeriam corte em benefícios sociais.

O que a análise técnica rastreou

O levantamento da área técnica do TSE examinou textos, prévias de links e áudios transcritos publicados no canal entre 2 e 11 de outubro. A análise não cobriu, porém, a transcrição integral de vídeos nem de outros áudios compartilhados no grupo, de acordo com o Conjur. O documento afirma que não foram localizadas, entre as publicações do canal no período, reproduções das afirmações examinadas nos autos do processo aberto pela campanha de Flávio.

A divergência expõe uma disputa dentro do próprio TSE a poucos dias do segundo turno entre Lula e Flávio. Nunes Marques determinou a saída do canal do ar no domingo, e Cueva anulou a decisão monocraticamente horas depois, com pedido de julgamento urgente do caso pelo plenário virtual da Corte.

A reação da campanha de Flávio

A campanha de Flávio rejeitou a conclusão da área técnica e divulgou nota em que classificou como grave a manutenção do canal no ar. Segundo o Times Brasil, a nota diz que é estarrecedora a adoção de decisões que revelam complacência com a disseminação de fake news a favor de Lula.

O senador afirmou que vai apresentar um novo relatório ao TSE, agora alegando que o canal usa estratégias para escapar do monitoramento, como a exclusão sistemática de mensagens, a fragmentação de conteúdo em links externos e a burla aos limites de compartilhamento do WhatsApp. A campanha argumenta que essa conduta viola o plano de conformidade firmado entre o TSE e a Meta.

Quem decide o caso agora

O caso segue agora para julgamento do plenário virtual do TSE, que vai decidir se o canal de Janones permanece no ar até o fim da campanha e se há responsabilidade da coligação de Lula por eventual descumprimento das regras eleitorais. Até a decisão final, o grupo volta a funcionar normalmente no WhatsApp. O relatório técnico que não encontrou as fake news apontadas por Flávio deve pesar no voto dos ministros.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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