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Valdemar diz que Bolsonaro pode disputar 2030 e que terá voz em governo de Flávio

Presidente do PL afirma que Flávio, eleito, vai liberar o pai para 2030. Flávio teve 47% no primeiro turno, contra 45% de Lula, e Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses.

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, durante entrevista
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, falou sobre 2030 e sobre o papel de Jair Bolsonaro num eventual governo de Flávio. Foto: Wikimedia Commons / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)

O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (5) que Jair Bolsonaro poderá voltar a disputar a Presidência da República em 2030 se o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vencer o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração, dada em entrevista à CNN, foi reproduzida pela Gazeta do Povo e pelo O Globo.

Valdemar disse não ter dúvida de que Flávio, caso seja eleito, vai "liberar" o pai para uma nova candidatura. Na avaliação do dirigente, o ex-presidente seria de novo um nome forte daqui a quatro anos, porque o eleitorado vai querer Jair Bolsonaro de volta, segundo a Gazeta do Povo.

O que sustenta a aposta do PL

A conversa sobre 2030 ganhou força depois do primeiro turno. De acordo com a Gazeta do Povo, Flávio teve 47% dos votos e Lula, 45%. Segundo o O Globo, o senador também afirmou que pretende anistiar o pai e não disputar a reeleição, o que abriria espaço para Jair Bolsonaro em 2030.

Há obstáculos jurídicos. Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado. Em 2023, o TSE também o declarou inelegível por oito anos. Uma anistia, como a que Flávio diz querer conceder, teria de enfrentar essas duas frentes.

Um ex-presidente sem ministério, mas com opinião

Valdemar também disse que Jair Bolsonaro participaria da administração do filho. Segundo o dirigente, o ex-presidente não seria ministro, mas daria opinião sobre as decisões do governo. A Gazeta do Povo registra que ele afirmou não ter dúvida sobre essa participação.

A fala é um ponto sensível para a campanha de Flávio. O senador tenta ampliar o eleitorado para além do núcleo bolsonarista, e a perspectiva de um governo com influência direta do pai, preso e condenado, dá munição à campanha de Lula.

Quem ganha e quem perde com a declaração

Para o PL, a declaração reforça o discurso de que o voto em Flávio é também um voto pela volta do pai ao jogo político, algo que mobiliza a base mais fiel. O custo está no eleitor moderado, que pode ler a fala como sinal de um governo tutelado.

Com diferença de dois pontos percentuais entre os candidatos no primeiro turno, qualquer movimento nesse eleitorado pesa. Nem Flávio Bolsonaro nem o PT haviam comentado a fala de Valdemar nas fontes consultadas até a publicação desta matéria.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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