O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (5) que Jair Bolsonaro poderá voltar a disputar a Presidência da República em 2030 se o filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vencer o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração, dada em entrevista à CNN, foi reproduzida pela Gazeta do Povo e pelo O Globo.
Valdemar disse não ter dúvida de que Flávio, caso seja eleito, vai "liberar" o pai para uma nova candidatura. Na avaliação do dirigente, o ex-presidente seria de novo um nome forte daqui a quatro anos, porque o eleitorado vai querer Jair Bolsonaro de volta, segundo a Gazeta do Povo.
O que sustenta a aposta do PL
A conversa sobre 2030 ganhou força depois do primeiro turno. De acordo com a Gazeta do Povo, Flávio teve 47% dos votos e Lula, 45%. Segundo o O Globo, o senador também afirmou que pretende anistiar o pai e não disputar a reeleição, o que abriria espaço para Jair Bolsonaro em 2030.
Há obstáculos jurídicos. Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado. Em 2023, o TSE também o declarou inelegível por oito anos. Uma anistia, como a que Flávio diz querer conceder, teria de enfrentar essas duas frentes.
Um ex-presidente sem ministério, mas com opinião
Valdemar também disse que Jair Bolsonaro participaria da administração do filho. Segundo o dirigente, o ex-presidente não seria ministro, mas daria opinião sobre as decisões do governo. A Gazeta do Povo registra que ele afirmou não ter dúvida sobre essa participação.
A fala é um ponto sensível para a campanha de Flávio. O senador tenta ampliar o eleitorado para além do núcleo bolsonarista, e a perspectiva de um governo com influência direta do pai, preso e condenado, dá munição à campanha de Lula.
Quem ganha e quem perde com a declaração
Para o PL, a declaração reforça o discurso de que o voto em Flávio é também um voto pela volta do pai ao jogo político, algo que mobiliza a base mais fiel. O custo está no eleitor moderado, que pode ler a fala como sinal de um governo tutelado.
Com diferença de dois pontos percentuais entre os candidatos no primeiro turno, qualquer movimento nesse eleitorado pesa. Nem Flávio Bolsonaro nem o PT haviam comentado a fala de Valdemar nas fontes consultadas até a publicação desta matéria.



