sexta-feira, 16 de outubro de 2026 · Edição diária

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Presidente do Fed diz que a IA é um choque de demanda e que 12 a 18 meses seguem no escuro

Em painel do FMI em Bangkok, Kevin Warsh afirmou que a IA amplia a demanda antes de elevar a oferta e que o efeito sobre emprego e inflação nos próximos 12 a 18 meses é incerto. Fed e BCE já subiram juros em setembro.

Sede do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, em Washington
Kevin Warsh, presidente do Fed, falou sobre IA em painel das Reuniões Anuais do FMI, em Bangkok, nesta sexta-feira (16). Foto: Pexels

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou nesta sexta-feira (16), em painel das Reuniões Anuais do FMI em Bangkok, que a inteligência artificial pode trazer ganhos relevantes de produtividade e crescimento no médio prazo, mas que o caminho até lá deve ser "muito acidentado". As declarações foram publicadas pela CNN Brasil, com texto do Estadão Conteúdo, e detalhadas em reportagem da Reuters.

Warsh classificou a IA como a mudança mais significativa que já viu, nos Estados Unidos e no mundo, e disse que a trata com seriedade como banqueiro central. Segundo ele, a tecnologia está expandindo primeiro a demanda agregada. Os benefícios pelo lado da oferta, como mais produção com o mesmo trabalho, só devem aparecer depois.

O intervalo de 12 a 18 meses

O presidente do Fed disse que falta clareza sobre o que acontece na economia real nos próximos 12 a 18 meses, principalmente no emprego. Também apontou incerteza sobre quem vai lucrar com as novas tecnologias e sobre o destino de empresas e investidores que apostarem no modelo errado.

Na avaliação dele, quem trabalha em banco central precisa reconhecer a IA como um choque. Warsh afirmou ainda que os Estados Unidos se beneficiam de uma onda crescente de investimentos, e alertou que a transição pode ser muito turbulenta.

Juros mais altos por mais tempo

A Reuters descreveu o encontro de Bangkok como uma reunião em que banqueiros centrais das maiores economias discutem uma corrida global por dinheiro. Governos e empresas gastam pesado em chips, data centers, redes elétricas e de telecomunicações, e o investimento chega antes dos ganhos de produtividade prometidos.

Martins Kazaks, do comitê de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), disse que há uma disputa global por dinheiro e que o investimento em IA está entre os principais fatores que encarecem o capital. Lesetja Kganyago, governador do banco central da África do Sul, afirmou que sabe que a taxa neutra de juros está mais alta, mas não sabe quanto. Huw Pill, economista-chefe do Banco da Inglaterra, disse que, em média, as taxas talvez fiquem um pouco mais altas.

A taxa neutra é o nível de juros que mantém a economia em equilíbrio. Quando ela sobe, a mesma taxa básica passa a ser menos restritiva do que se pensava, o que abre espaço para novas altas. Segundo a Reuters, o Fed e o BCE elevaram os juros em setembro, e o mercado já precifica outro aumento em dezembro. Economistas esperam que o Banco da Inglaterra suba a taxa em 5 de novembro, e o Banco do Japão citou a demanda ligada à IA entre os motivos de seus aumentos recentes.

Os governos de Estados Unidos, Japão e Alemanha também tomam empréstimos volumosos para defesa, política industrial e energia. Os rendimentos dos títulos soberanos subiram no mundo todo, e alguns chegaram a níveis não vistos desde antes da crise financeira de 2008.

O que muda para bancos centrais e para o custo do crédito

Warsh disse que a IA também deve mudar a forma como os bancos centrais trabalham. Em vez de forçar modelos tradicionais sobre os dados, as autoridades terão mais informações e novas ferramentas analíticas para separar ruído de tendência e reduzir problemas de medição.

Nenhuma das duas reportagens trata do Brasil. A consequência prática está no custo do dinheiro: se a demanda global por capital sustenta juros altos nas maiores economias, empresas que tomam crédito ou captam em dólar tendem a conviver com um custo de financiamento elevado por mais tempo. Warsh não deu previsão para o emprego nem para a inflação, e disse que a resposta só deve ficar mais clara depois desse intervalo de 12 a 18 meses.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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