quarta-feira, 14 de outubro de 2026 · Edição diária

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Wellhub: 37% dos brasileiros mais fluentes em IA dizem que ela aumentou o trabalho

Levantamento do Wellhub mostra que 37% dos profissionais brasileiros avançados em IA relatam mais carga, contra 13% entre iniciantes. Entre os avançados, 23% têm sintomas diários de burnout, ante 11% dos novatos.

Profissional diante de um notebook em um escritório, com sinais de cansaço
Pesquisa do Wellhub ouviu mais de 5 mil profissionais em dez países, incluindo o Brasil. Foto: Pexels / Andrea Piacquadio

O Wellhub divulgou nesta quarta-feira (14) o Panorama do Bem-Estar Corporativo 2027, e o dado de maior peso para o mercado brasileiro é este: 37% dos trabalhadores "avançados em IA" afirmam que a tecnologia aumentou a carga de trabalho deles. Entre quem está nos primeiros estágios de adoção, o índice é de 13%, segundo o levantamento, noticiado pelo Canaltech.

A pesquisa ouviu mais de 5 mil profissionais em período integral, em dez países. As respostas foram coletadas de 12 a 19 de junho de 2026, e cada país teve entre 500 e 505 entrevistados, o Brasil incluído. A amostra por país é pequena, o que pede cautela ao tratar as diferenças como retrato exato da força de trabalho nacional.

Quem domina a ferramenta carrega mais peso

A promessa mais repetida sobre a IA é a de executar tarefas com mais agilidade. O Wellhub encontrou, entre os mais habilidosos, uma rotina descrita como mais pesada. A diferença de 37% para 13% indica que dominar a ferramenta não reduz, por si só, o volume de trabalho de quem a usa.

O estudo traz outro dado sobre esse grupo: oito em cada dez usuários avançados orientam colegas sobre as ferramentas. Ou seja, além de entregar o próprio trabalho, essas pessoas passam a ensinar os outros a usar a tecnologia. A pesquisa não mede quanto tempo isso consome, mas o número ajuda a entender de onde vem parte da sobrecarga relatada.

A saúde mental aparece no mesmo recorte. Entre os avançados, 23% relatam sintomas diários de burnout, mais que o dobro dos 11% registrados entre os iniciantes. O levantamento mostra a associação entre as duas coisas, sem provar que o uso intenso de IA é a causa do esgotamento.

O que as empresas com regra clara registram

O contraste aparece nas companhias que definiram regras. Quase oito em cada dez entrevistados em empresas com política clara e bem comunicada sobre IA dizem se sentir resilientes e capazes de se adaptar. Também há um efeito do apoio ao bem-estar: 75% dos usuários avançados afirmam que ter acesso a recursos desse tipo os ajuda a render melhor e a se adaptar.

Ricardo Guerra, líder do Wellhub no Brasil, afirmou que nunca houve tanta tecnologia disponível para ampliar a produtividade. Para ele, as empresas mais competitivas serão as que conseguirem combinar inteligência artificial com bem-estar humano. A leitura vem de uma empresa que vende benefícios de bem-estar corporativo, e o leitor deve considerar esse interesse ao avaliar a conclusão.

Quem paga a conta da produtividade

Para o gestor, o dado traz um alerta prático: o profissional que mais aprende a usar IA tende a ser o mais demandado, seja por receber mais tarefas, seja por virar referência interna. Se a empresa mede ganho de produtividade sem olhar a carga de quem o gera, o custo aparece depois, em afastamentos e rotatividade.

Para o trabalhador, a pesquisa sugere que a vantagem de ser fluente em IA vem acompanhada de pressão. Regras claras sobre o uso da tecnologia e acesso a recursos de bem-estar são, nos dados do Wellhub, as duas condições associadas a quem se sente mais preparado para lidar com a mudança.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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