O 6G será uma rede com inteligência artificial embutida desde o projeto, e não apenas uma conexão mais rápida que o 5G. Foi o que defenderam especialistas em painel do Futurecom 2026, na quarta-feira (7), segundo a Convergência Digital. O prazo, porém, é longo: a primeira revisão técnica do padrão só deve ocorrer até a metade de 2028.
Quem trouxe a data foi Alejandro Adamowicz, diretor de Estratégia e Tecnologia da GSMA. De acordo com ele, as primeiras especificações técnicas do 6G já estão completas. Depois da revisão, os fornecedores podem avançar na produção de equipamentos. A matéria não informa uma data de lançamento comercial.
Rede que decide em tempo real
Jesaias Arruda, vice-presidente da Abranet, afirmou que o 6G representa uma mudança de concepção, com redes de IA nativa. Segundo o relato do painel, a tecnologia deverá ter IA embarcada, com decisões de rede tomadas em tempo real. Arruda lembrou também que o Brasil ainda discute a consolidação do 5G.
Carlos Nazareth Marins, diretor do Inatel, descreveu o 6G como a integração entre redes móveis, IA e computação em nuvem em larga escala. A velocidade continua relevante, disse ele, mas como meio para uma infraestrutura mais integrada. Marins citou redes não terrestres, com estações-base embarcadas em satélites, e a cobertura de ambientes subterrâneos, como o metrô.
Ele projetou ainda um volume grande de sensores: nos próximos anos, um veículo pode ter 250 pontos de sensoriamento e uma máquina agrícola, 500. Marins defendeu mais flexibilidade no uso do espectro, inclusive o uso oportunístico, e citou o TV White Space como exemplo.
O 5G Advanced vem antes
Adamowicz afirmou que o 5G entra em sua segunda fase, com o 5G Advanced aplicado à indústria. Na avaliação dele, o Brasil tem vantagem por já contar com grandes operadoras no 5G Standalone (SA). A nova versão deve reduzir a latência, aumentar a densidade de dispositivos por site e ampliar a integração entre as capacidades da rede.
O executivo mencionou usos como rastreamento de objetos, veículos e materiais críticos, e drones para entrega, gestão de tráfego e segurança. Esses casos, ponderou, dependem da consolidação dos padrões. Sobre o espectro, disse que ele será o principal insumo da indústria móvel e que a liberação de faixas é essencial.
Computação quântica e falta de gente
Erik Garcell, da Quantum Solutions (Classiq), apontou duas frentes para a computação quântica no 6G. A primeira é a segurança, porque computadores quânticos podem quebrar a criptografia usada hoje. A segunda são os cálculos complexos, como simulação de ondas e otimização da rede.
Garcell disse que as redes 6G devem ser desenvolvidas com uso de computação quântica e que há demanda urgente por profissionais qualificados. De acordo com a Convergência Digital, a preparação nos próximos cinco anos envolverá padrões, espectro, infraestrutura, formação profissional e protocolos de comunicação quântica.
O que as operadoras precisam decidir agora
Com o padrão ainda em revisão e sem data comercial, o investimento imediato recai sobre o 5G Standalone e o 5G Advanced, que os palestrantes trataram como a ponte para o 6G. A disponibilização de faixas de espectro e a formação de mão de obra aparecem como os gargalos que dependem de decisão antes de 2028.



