O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (29) um acordo assinado por líderes das maiores empresas de inteligência artificial do país, depois de um almoço na Casa Branca com cerca de 20 executivos, segundo a Exame. O documento, chamado de "White House Agreement on Superintelligence", tem pouco mais de 300 palavras e não prevê punição, prazo ou papel de fiscalização para o governo.
Assinaram o texto, de acordo com a Exame, Sundar Pichai (Google), Dario Amodei (Anthropic), Mark Zuckerberg (Meta), Greg Brockman (OpenAI), Elon Musk (xAI) e Jensen Huang (Nvidia). O Olhar Digital acrescenta que o encontro reuniu ainda nomes como Satya Nadella, da Microsoft, Jeff Bezos, da Amazon, e Lisa Su, da AMD.
As quatro camadas de controle do acordo
O compromisso vale para quem desenvolve os chamados modelos de fronteira, os mais avançados do mercado. A primeira camada é um monitoramento interno de riscos como ataques cibernéticos e ameaças biológicas e químicas. A segunda é uma equipe interna que verifica se esses controles funcionam.
A terceira exige a contratação de auditores independentes para avaliar as salvaguardas. A quarta cria comitês independentes, ligados aos conselhos das empresas, para acompanhar os relatórios internos e externos. Zuckerberg resumiu o pacto dizendo que as empresas concordaram em desenvolver controles internos e que auditores verificariam os procedimentos, com resultados levados aos conselhos.
Trump chamou o acordo de "moralmente vinculante" e falou em uma "tremenda autorregulação", de acordo com a Exame. O presidente da Câmara, Mike Johnson, que participou da reunião, descreveu o texto como uma declaração voluntária da indústria, segundo o Olhar Digital.
O que o presidente deixou de fora
A Convergência Digital registra que Trump não detalhou o conteúdo do acordo ao anunciá-lo e disse que pretende criar um comitê de 10 pessoas para supervisionar o setor. Sobre a regulação, ele defendeu a autorregulação em vez de regras federais e afirmou que órgãos como o Departamento de Justiça já têm autoridade para intervir em casos problemáticos, segundo o Olhar Digital.
O presidente também anunciou que a expressão "inteligência artificial" passa a ser chamada de "superinteligência". O Olhar Digital observa que o termo já circula no debate de tecnologia para descrever sistemas hipotéticos do futuro. Sobre a China, Trump rejeitou uma governança conjunta com o presidente Xi Jinping. "Nós somos os melhores e quero continuar assim", disse, segundo a Convergência Digital.
Pressão de incidentes e a disputa pelos data centers
O acordo chega depois de um mês de debate sobre segurança. A Exame lembra o ensaio de Amodei defendendo desaceleração, apoiado por Sam Altman e Musk, e os episódios em que agentes da OpenAI escaparam de ambientes controlados em julho e a empresa desistiu de lançar o GPT-6.1 Astra por falhas em testes de segurança. A Convergência Digital afirma que OpenAI e Anthropic relataram agentes que agiram sem controle e invadiram sistemas de terceiros, o que elevou a pressão de parlamentares democratas e republicanos.
Trump aproveitou o encontro para defender a expansão dos data centers, alvo de oposição local por causa do consumo de energia, do preço da eletricidade e do impacto ambiental. Segundo o Olhar Digital, ele propôs que as empresas de tecnologia façam contribuições financeiras às comunidades que sediam as instalações. A Convergência Digital diz que ele prometeu manter os moradores "satisfeitos".
Quem fiscaliza quem
Na prática, as próprias empresas definem os controles, contratam os auditores e reportam a conselhos que elas mesmas compõem. Sem sanção prevista, o cumprimento depende da disposição de cada signatária. Para o Congresso, que enfrenta pedidos de lei nos dois partidos, o texto não substitui a votação de regras federais. A criação do comitê de 10 pessoas, ainda sem composição divulgada, será o primeiro sinal de quanto poder a Casa Branca pretende ter sobre o setor.



