quinta-feira, 1 de outubro de 2026 · Edição diária

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Alphabet manda chips de IA ao espaço e entra na corrida da SpaceX por data centers em órbita

A Alphabet, dona do Google, lançou nesta quinta-feira um protótipo com chips próprios de IA e detém uma fatia de US$ 82 bilhões na SpaceX, que avalia em US$ 2 trilhões e promete data centers orbitais em até três anos.

Satélite em órbita baixa da Terra, com painéis solares abertos
O Projeto Suncatcher, do Google, testa em órbita a ideia de levar infraestrutura de IA para fora da Terra. Foto: Pexels / Jake Heinemann

A Alphabet, controladora do Google, lançou nesta quinta-feira (1º) um satélite com um protótipo solar que carrega chips do Google, a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX, segundo o NeoFeed. O voo é o primeiro passo concreto do Projeto Suncatcher, anunciado no fim de 2025 para explorar infraestrutura de aprendizado de máquina em órbita.

O Google disse em comunicado que o lançamento serve para verificar o que funciona, identificar pontos de falha e aplicar o que for aprendido em missões futuras. Antes do voo, a empresa já havia testado seus chips em cargas de trabalho de IA na Universidade da Califórnia, de acordo com o NeoFeed.

A promessa que atraiu investidores ao IPO da SpaceX

A ideia de data centers espaciais foi um dos argumentos de venda do IPO da SpaceX em junho, quando a empresa captou US$ 75 bilhões e foi avaliada em US$ 1,77 trilhão, a maior abertura de capital da história. Hoje, segundo o NeoFeed, a SpaceX vale cerca de US$ 2 trilhões.

A Alphabet, avaliada em US$ 4,1 trilhões, é acionista da SpaceX. A CNBC calculou o valor da participação em US$ 82 bilhões. As duas companhias, porém, competem no mercado de IA, o que torna a parceria no lançamento mais complexa do que uma simples relação entre cliente e fornecedor.

A SpaceX planeja construir os próprios data centers espaciais, com satélites e processadores, e a Tesla produziria os painéis solares. Elon Musk afirmou que a tecnologia sairá do papel em no máximo três anos.

Por que levar servidores para fora da Terra

O argumento central é energia. Segundo o Google, satélites em órbita baixa têm acesso a luz solar quase constante e podem gerar até oito vezes mais energia solar do que na Terra. Para um setor que disputa megawatts e tem projetos travados por falta de eletricidade, esse número explica o interesse.

O economista Matthew Weinzierl, autor do livro Space to Grow, disse à Fast Company que os custos dos data centers terrestres estão subindo, enquanto os dos centros de dados espaciais tendem a cair, e que em algum momento as duas curvas vão se cruzar. Ele afirmou que ninguém sabe quando isso ocorre, mas que os grandes investimentos de Google, SpaceX e outras empresas tentam antecipar esse dia.

O que ainda separa a promessa da operação

Os obstáculos listados por especialistas, de acordo com o NeoFeed, são o custo de lançamento, a refrigeração dos equipamentos, a radiação e o lixo orbital. O primeiro voo do Google existe justamente para medir como os chips reagem a essas condições.

Na prática, o resultado deste teste define o ritmo do investimento. Se os chips sobreviverem e a conta de lançamento fechar, a Alphabet terá um caminho de expansão que não depende de licenças, redes elétricas ou terrenos. Se falharem, os data centers continuam presos ao solo e à disputa por energia que hoje limita a oferta de computação para IA, inclusive para países que, como o Brasil, tentam atrair esses projetos.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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