A Alphabet, controladora do Google, lançou nesta quinta-feira (1º) um satélite com um protótipo solar que carrega chips do Google, a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX, segundo o NeoFeed. O voo é o primeiro passo concreto do Projeto Suncatcher, anunciado no fim de 2025 para explorar infraestrutura de aprendizado de máquina em órbita.
O Google disse em comunicado que o lançamento serve para verificar o que funciona, identificar pontos de falha e aplicar o que for aprendido em missões futuras. Antes do voo, a empresa já havia testado seus chips em cargas de trabalho de IA na Universidade da Califórnia, de acordo com o NeoFeed.
A promessa que atraiu investidores ao IPO da SpaceX
A ideia de data centers espaciais foi um dos argumentos de venda do IPO da SpaceX em junho, quando a empresa captou US$ 75 bilhões e foi avaliada em US$ 1,77 trilhão, a maior abertura de capital da história. Hoje, segundo o NeoFeed, a SpaceX vale cerca de US$ 2 trilhões.
A Alphabet, avaliada em US$ 4,1 trilhões, é acionista da SpaceX. A CNBC calculou o valor da participação em US$ 82 bilhões. As duas companhias, porém, competem no mercado de IA, o que torna a parceria no lançamento mais complexa do que uma simples relação entre cliente e fornecedor.
A SpaceX planeja construir os próprios data centers espaciais, com satélites e processadores, e a Tesla produziria os painéis solares. Elon Musk afirmou que a tecnologia sairá do papel em no máximo três anos.
Por que levar servidores para fora da Terra
O argumento central é energia. Segundo o Google, satélites em órbita baixa têm acesso a luz solar quase constante e podem gerar até oito vezes mais energia solar do que na Terra. Para um setor que disputa megawatts e tem projetos travados por falta de eletricidade, esse número explica o interesse.
O economista Matthew Weinzierl, autor do livro Space to Grow, disse à Fast Company que os custos dos data centers terrestres estão subindo, enquanto os dos centros de dados espaciais tendem a cair, e que em algum momento as duas curvas vão se cruzar. Ele afirmou que ninguém sabe quando isso ocorre, mas que os grandes investimentos de Google, SpaceX e outras empresas tentam antecipar esse dia.
O que ainda separa a promessa da operação
Os obstáculos listados por especialistas, de acordo com o NeoFeed, são o custo de lançamento, a refrigeração dos equipamentos, a radiação e o lixo orbital. O primeiro voo do Google existe justamente para medir como os chips reagem a essas condições.
Na prática, o resultado deste teste define o ritmo do investimento. Se os chips sobreviverem e a conta de lançamento fechar, a Alphabet terá um caminho de expansão que não depende de licenças, redes elétricas ou terrenos. Se falharem, os data centers continuam presos ao solo e à disputa por energia que hoje limita a oferta de computação para IA, inclusive para países que, como o Brasil, tentam atrair esses projetos.



