quinta-feira, 1 de outubro de 2026 · Edição diária

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Broadcom vai emprestar até US$ 42 bi à Anthropic para ela alugar os chips da própria Broadcom

O prospecto de abertura de capital da Anthropic mostra que a Broadcom será fornecedora, locadora e credora da empresa, com empréstimo de até US$ 42 bilhões ligado a um contrato de chips de US$ 125,2 bilhões em cinco anos.

Chip de computação em servidor de data center de inteligência artificial
A Anthropic deve se tornar em 2027 a maior cliente de computação da Broadcom, segundo o prospecto de IPO da empresa. Foto: Pexels / Jakub Pabis

A Broadcom concordou em emprestar até US$ 42 bilhões à Anthropic para que a empresa de IA alugue chips fabricados pela própria Broadcom, segundo o prospecto de abertura de capital da Anthropic, divulgado nesta quinta-feira (1º) e noticiado pela Reuters, pelo Valor e pela Folha. O documento detalha parcerias com grandes empresas de tecnologia, e a da Broadcom é a que mais chama atenção pelo tamanho.

Os US$ 42 bilhões estão ligados a um contrato de cinco anos de capacidade de processamento em TPUs (os chips de IA desenvolvidos pelo Google, com a Broadcom na fabricação), avaliado em US$ 125,2 bilhões. De acordo com relatos da imprensa sobre o prospecto, o empréstimo equivale a cerca de um terço desse valor e pode ser feito por meio de notas conversíveis, que poderiam virar participação acionária na Anthropic.

Três papéis para a mesma empresa

O prospecto coloca a Broadcom em três funções ao mesmo tempo: fornecedora do hardware, locadora da capacidade de computação e credora. A empresa também tem a opção de trazer um parceiro financeiro para dividir o crédito.

A própria Anthropic admite o problema no documento. Segundo a Reuters, a empresa escreveu que o papel duplo da Broadcom, como fornecedora e parceira de financiamento, cria potenciais conflitos de interesse que podem afetar o acesso da Anthropic à capacidade de computação de que precisa. O texto cita também decisões de preço e de hardware como pontos sujeitos a esse conflito.

A relação deve crescer rápido. De acordo com a reportagem, a Anthropic será em 2027 a maior cliente da Broadcom no negócio de design de chips sob encomenda, e passa a ter acesso a capacidade de TPUs de próxima geração no mesmo ano.

O risco do dinheiro que dá voltas

O arranjo reforça a crítica de que parte da expansão da IA é financiada em círculo: quem recebe o empréstimo usa o dinheiro para comprar serviços de quem emprestou. A Reuters descreve o acordo como mais um caso de investimento circular no setor. Amazon e Microsoft também aparecem em estruturas semelhantes com a Anthropic, segundo a cobertura.

Robert Leitao, da Rothschild & Co. disse à Reuters que há hoje uma aposta bastante concentrada na capacidade de duas empresas gerarem receita suficiente para sustentar esses compromissos. A frase é uma paráfrase do comentário publicado em inglês, atribuído ao analista.

O que o investidor passa a enxergar

Para quem comprar ações da Anthropic na abertura de capital, o prospecto torna visível uma dívida e um compromisso de aluguel que dependem do mesmo fornecedor. Se a receita da empresa não acompanhar o contrato de US$ 125,2 bilhões, a pressão recai sobre a Anthropic, que deve à Broadcom, e sobre a Broadcom, cuja carteira de pedidos de chips passa a depender de um único cliente em crescimento. Os documentos analisados não informam as taxas do empréstimo nem o prazo de conversão das notas.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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