A francesa de inteligência artificial Artefact, no Brasil desde 2018, planeja multiplicar por cinco a receita na América Latina até 2030, quando pretende faturar R$ 500 milhões na região. A meta foi confirmada pelo CEO da companhia na América Latina, André Fonseca, em entrevista à Exame publicada nesta segunda-feira, 28.
A empresa abriu operação no Brasil em outubro de 2018 e só fechou o primeiro contrato local no início do ano seguinte. De acordo com a Exame, Fonseca montou a estrutura sozinho, num espaço de coworking, sem equipe fixa nem carteira de clientes. Até 2021, a equipe brasileira já somava cerca de 100 pessoas. Hoje são mais de 300 profissionais no país, dentro de um total de cerca de 500 espalhados pela América Latina, segundo dados repassados pela empresa à reportagem.
Três aquisições para ganhar escala na região
As aquisições passaram a fazer parte da estratégia de crescimento da Artefact na América Latina a partir de 2021. A empresa comprou a chilena BrainFood, a brasileira Finor, especializada em algoritmos de crédito e risco, e a colombiana OFI Services, que trouxe conhecimento em mapeamento de processos internos das empresas clientes. A Artefact não informou à Exame os valores nem as datas exatas das três transações.
As compras miram setores específicos dentro da carteira de clientes da empresa, que atende companhias de marketing, tecnologia, operações, manufatura, cadeia de suprimentos e serviços financeiros na região.
Segundo Fonseca, a meta de multiplicar a receita por cinco reflete a ambição traçada para a operação latino-americana dentro do grupo francês. Ao falar sobre o plano, ele disse à Exame:
Agentes de inteligência artificial mudam a oferta de serviços
Parte da estratégia de crescimento da Artefact passa pela oferta de agentes de inteligência artificial, sistemas capazes de executar sequências de tarefas e interagir com diferentes ferramentas sem depender de um comando a cada etapa. Para atender a essa demanda, a empresa afirma que precisa entender a fundo como cada cliente organiza seus processos internos antes de propor as soluções de automação.
A companhia mantém parcerias tecnológicas com Google, AWS, Microsoft e Databricks para sustentar essas ofertas. De acordo com a Exame, a entrada dos agentes de IA no portfólio exige da Artefact um trabalho maior de mapeamento dos fluxos internos de cada cliente antes de qualquer implementação.
A corrida por uma sócia no México
O próximo destino da expansão é o México, hoje a principal frente de crescimento da Artefact fora do Brasil. A empresa busca contratar uma nova sócia local e avalia possíveis aquisições no país, movimento que deve pesar na meta de R$ 500 milhões até 2030. A Colômbia funciona hoje como polo de profissionais para a operação regional, enquanto o Brasil segue como o maior mercado em tamanho de equipe e disponibilidade de talentos, segundo a empresa.



