O consumo global de eletricidade dos data centers deve passar de 388 TWh para 1.288 TWh até 2030, segundo projeção da consultoria Bain & Company divulgada nesta segunda-feira (5) e reportada pelo Convergência Digital. O avanço da inteligência artificial pode exigir de US$ 5 trilhões a US$ 6,5 trilhões em investimentos em infraestrutura do setor no período.
Pelas contas da Bain, o mundo precisará de cerca de 150 GW de nova capacidade computacional. Com isso, a capacidade instalada deve quase triplicar em cinco anos, enquanto o consumo de energia mais que triplica, já que 1.288 TWh equivalem a 3,3 vezes os 388 TWh atuais.
Campi de 5 GW no lugar de 50 MW
A escala dos projetos mudou de patamar. De acordo com a consultoria, data centers de 50 MW eram considerados grandes há cerca de cinco anos. Hoje já estão planejados campi com 5 GW ou mais, cem vezes a referência anterior.
Os maiores empreendimentos custam entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões cada, segundo o levantamento. Para sustentar esse volume de investimento, a Bain estima que a economia precisará gerar cerca de US$ 6 trilhões em receita anual até 2031. Desse total, aproximadamente US$ 4,2 trilhões teriam de vir de novas aplicações e mercados.
Rede elétrica e licenças travam obras
A Bain aponta quatro gargalos: disponibilidade de energia, fornecimento de equipamentos, mão de obra especializada e licenciamento. O prazo para conectar um projeto à rede elétrica já passa de quatro anos, de acordo com a consultoria.
Os entraves regulatórios têm efeito mensurável. No primeiro semestre de 2026, obstáculos desse tipo bloquearam ou atrasaram 75 projetos de data centers, que somam US$ 130 bilhões, segundo a Bain.
Quem sente o efeito primeiro
A projeção importa para qualquer país que disputa esses investimentos. Quem oferece energia firme e licenciamento rápido entra na lista de locais possíveis para os campi de grande porte. Quem não oferece vê a obra ir para outro lugar, e os dados da Bain mostram que a fila de conexão à rede já passa de quatro anos.
Para as empresas de tecnologia, o recado financeiro é direto: o retorno precisa vir de aplicações que ainda estão em construção, porque US$ 4,2 trilhões da receita necessária dependem de produtos e mercados novos. A reportagem do Convergência Digital não detalha como esses números se distribuem por país.



