quinta-feira, 10 de setembro de 2026 · Edição diária

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Bayer aposta em remédio não hormonal para menopausa, diz executivo

Adib Jacob, da divisão farmacêutica da Bayer no Brasil e na América Latina, diz que o Lynkuet já está na Anvisa. Aprovação esperada entre o fim de 2026 e o começo de 2027.

Adib Jacob, presidente da divisão farmacêutica da Bayer no Brasil e na América Latina, de terno azul, em entrevista na redação da Folha
Adib Jacob, da Bayer: o preço do Lynkuet precisa caber na realidade brasileira. Quase 80% das mulheres na menopausa têm fogachos, distúrbio de sono ou mudança de humor. Foto: Reprodução / TV Folha

A Bayer aposta num medicamento não hormonal para menopausa no Brasil. Adib Jacob, presidente da divisão farmacêutica da companhia no país e na América Latina, disse à Folha nesta quinta-feira (10) que o produto, o Lynkuet, já foi submetido à Anvisa. A expectativa é de aprovação entre o fim deste ano e o começo de 2027.

O remédio mira ondas de calor, os fogachos, distúrbios de sono e mudanças de humor. O primeiro não hormonal no país foi o Veoza, da Astellas Farma, aprovado em junho. Jacob apresenta o Lynkuet como opção às terapias hormonais descartadas por câncer de mama, câncer de endométrio, doença hepática grave ou distúrbio de coagulação.

Preço e o mercado da mulher

O preço, afirmou, será adequado à realidade brasileira. Quase 80% das mulheres na menopausa têm, em maior ou menor grau, esses sintomas. A saúde da mulher é um dos carros-chefes da Bayer no Brasil, que disputa com o México a liderança na América Latina. Também entram doenças cardiovasculares, oftalmologia e oncologia, a segunda causa de mortes no país.

O mercado farmacêutico brasileiro movimentou cerca de R$ 246 bilhões em 2025 e deve crescer mais de 10% em 2026. Para a Bayer, Jacob prevê alta de dois dígitos. A indústria enfrenta pressão de genéricos e biossimilares, fim de exclusividade de medicamentos importantes e demanda por terapias inovadoras de alto custo.

Como pagar a inovação

Jacob diz que medicamento não é a linha mais relevante do orçamento de uma operadora, mas se sensibiliza com a cobrança de hospitais e planos. Defende sustentabilidade do sistema e que a inovação chegue ao paciente. Cita modelos além do custo por unidade: compartilhamento de risco, em que o pagador só paga se a eficácia combinada for atingida; coparticipação da indústria acima de um teto; e parcelamento em alto custo. Austrália e alguns países europeus já usam esses desenhos. No Brasil, cita um acordo em São Paulo para hipertensão pulmonar.

A Bayer tem mais de 35 projetos em desenvolvimento, inclusive estudo avançado em Parkinson com inserção de células sadias no cérebro. A vanguarda, diz Jacob, saiu dos biológicos e das terapias autoimunes para as celulares e gênicas. Ensinar o organismo a lutar contra um câncer, ou restabelecer função motora, é o caminho que vai evoluir com enorme velocidade.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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