A Bayer aposta num medicamento não hormonal para menopausa no Brasil. Adib Jacob, presidente da divisão farmacêutica da companhia no país e na América Latina, disse à Folha nesta quinta-feira (10) que o produto, o Lynkuet, já foi submetido à Anvisa. A expectativa é de aprovação entre o fim deste ano e o começo de 2027.
O remédio mira ondas de calor, os fogachos, distúrbios de sono e mudanças de humor. O primeiro não hormonal no país foi o Veoza, da Astellas Farma, aprovado em junho. Jacob apresenta o Lynkuet como opção às terapias hormonais descartadas por câncer de mama, câncer de endométrio, doença hepática grave ou distúrbio de coagulação.
Preço e o mercado da mulher
O preço, afirmou, será adequado à realidade brasileira. Quase 80% das mulheres na menopausa têm, em maior ou menor grau, esses sintomas. A saúde da mulher é um dos carros-chefes da Bayer no Brasil, que disputa com o México a liderança na América Latina. Também entram doenças cardiovasculares, oftalmologia e oncologia, a segunda causa de mortes no país.
O mercado farmacêutico brasileiro movimentou cerca de R$ 246 bilhões em 2025 e deve crescer mais de 10% em 2026. Para a Bayer, Jacob prevê alta de dois dígitos. A indústria enfrenta pressão de genéricos e biossimilares, fim de exclusividade de medicamentos importantes e demanda por terapias inovadoras de alto custo.
Como pagar a inovação
Jacob diz que medicamento não é a linha mais relevante do orçamento de uma operadora, mas se sensibiliza com a cobrança de hospitais e planos. Defende sustentabilidade do sistema e que a inovação chegue ao paciente. Cita modelos além do custo por unidade: compartilhamento de risco, em que o pagador só paga se a eficácia combinada for atingida; coparticipação da indústria acima de um teto; e parcelamento em alto custo. Austrália e alguns países europeus já usam esses desenhos. No Brasil, cita um acordo em São Paulo para hipertensão pulmonar.
A Bayer tem mais de 35 projetos em desenvolvimento, inclusive estudo avançado em Parkinson com inserção de células sadias no cérebro. A vanguarda, diz Jacob, saiu dos biológicos e das terapias autoimunes para as celulares e gênicas. Ensinar o organismo a lutar contra um câncer, ou restabelecer função motora, é o caminho que vai evoluir com enorme velocidade.



