sábado, 3 de outubro de 2026 · Edição diária

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Bessent responde a Amodei, Altman e Musk: se querem desacelerar a IA, que desacelerem

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que alarmismo sem soluções não é liderança e que os modelos chineses já têm de 80% a 90% da potência dos americanos, sem barreiras de proteção.

Fachada do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, em Washington
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, criticou neste sábado (3) os alertas de líderes da indústria de inteligência artificial. Foto: 内閣府 / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, criticou neste sábado (3) os alertas de executivos da indústria de inteligência artificial sobre os riscos da tecnologia e cobrou que as próprias empresas apresentem soluções, segundo o InfoMoney. Para ele, o alarmismo sem proposta de saída por parte de alguns membros da comunidade de IA não pode ser chamado de liderança.

A fala responde a um movimento de setembro, quando Dario Amodei, CEO da Anthropic, Sam Altman, chefe da OpenAI, e Elon Musk, da xAI, defenderam uma desaceleração do desenvolvimento. Bill Gates, cofundador da Microsoft, foi além e disse que a IA é poderosa o bastante para causar um bilhão de mortes, pedindo regulação governamental.

A cobrança de Bessent aos laboratórios

Bessent afirmou que o governo precisa estar preparado para qualquer cenário, mas que a responsabilidade cabe a quem trabalha nos laboratórios. Segundo ele, o objetivo dos EUA é uma aceleração segura. Quando lhe perguntaram sobre os pedidos de regulamentação, respondeu que, então, que os próprios laboratórios desacelerem.

A posição acompanha a da Casa Branca. De acordo com o InfoMoney, o presidente Donald Trump descartou novas regras federais, classificou os alertas sobre riscos existenciais como um embuste e apontou para a autorregulação. Trump também endossou o uso de auditores externos, em um acordo sem caráter vinculante, em lugar de regulação.

A China como argumento

O secretário disse que os Estados Unidos não podem perder a liderança para os chineses. Segundo ele, os modelos da China têm de 80% a 90% da potência dos americanos e funcionam sem barreiras de proteção, o que, na leitura do Tesouro, torna uma pausa unilateral um risco competitivo.

Ao mesmo tempo, Washington tenta abrir um canal com Pequim. O InfoMoney relata que Bessent conversou em setembro, em Nova York, com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, e que os EUA buscam um sistema bilateral de notificações sobre riscos de IA. O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que os dois países podem continuar discutindo a tecnologia e seus perigos.

O que muda para as empresas de IA

Na prática, a mensagem do Tesouro é que não haverá freio regulatório federal à corrida de modelos nos EUA no curto prazo. Laboratórios que pedem limites terão de apresentar propostas concretas e aceitar, no máximo, auditorias externas voluntárias. Para empresas e governos que dependem dessas plataformas, inclusive no Brasil, o ritmo de lançamentos continua sendo definido pelas próprias desenvolvedoras e pela disputa com a China.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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