O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, criticou neste sábado (3) os alertas de executivos da indústria de inteligência artificial sobre os riscos da tecnologia e cobrou que as próprias empresas apresentem soluções, segundo o InfoMoney. Para ele, o alarmismo sem proposta de saída por parte de alguns membros da comunidade de IA não pode ser chamado de liderança.
A fala responde a um movimento de setembro, quando Dario Amodei, CEO da Anthropic, Sam Altman, chefe da OpenAI, e Elon Musk, da xAI, defenderam uma desaceleração do desenvolvimento. Bill Gates, cofundador da Microsoft, foi além e disse que a IA é poderosa o bastante para causar um bilhão de mortes, pedindo regulação governamental.
A cobrança de Bessent aos laboratórios
Bessent afirmou que o governo precisa estar preparado para qualquer cenário, mas que a responsabilidade cabe a quem trabalha nos laboratórios. Segundo ele, o objetivo dos EUA é uma aceleração segura. Quando lhe perguntaram sobre os pedidos de regulamentação, respondeu que, então, que os próprios laboratórios desacelerem.
A posição acompanha a da Casa Branca. De acordo com o InfoMoney, o presidente Donald Trump descartou novas regras federais, classificou os alertas sobre riscos existenciais como um embuste e apontou para a autorregulação. Trump também endossou o uso de auditores externos, em um acordo sem caráter vinculante, em lugar de regulação.
A China como argumento
O secretário disse que os Estados Unidos não podem perder a liderança para os chineses. Segundo ele, os modelos da China têm de 80% a 90% da potência dos americanos e funcionam sem barreiras de proteção, o que, na leitura do Tesouro, torna uma pausa unilateral um risco competitivo.
Ao mesmo tempo, Washington tenta abrir um canal com Pequim. O InfoMoney relata que Bessent conversou em setembro, em Nova York, com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, e que os EUA buscam um sistema bilateral de notificações sobre riscos de IA. O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que os dois países podem continuar discutindo a tecnologia e seus perigos.
O que muda para as empresas de IA
Na prática, a mensagem do Tesouro é que não haverá freio regulatório federal à corrida de modelos nos EUA no curto prazo. Laboratórios que pedem limites terão de apresentar propostas concretas e aceitar, no máximo, auditorias externas voluntárias. Para empresas e governos que dependem dessas plataformas, inclusive no Brasil, o ritmo de lançamentos continua sendo definido pelas próprias desenvolvedoras e pela disputa com a China.



