Uma Medida Provisória que extingue a operação, a oferta e a publicidade de apostas de quota fixa no Brasil ameaça mais de R$ 1,14 bilhão em patrocínios do futebol, segundo estimativas do setor reunidas pela Exame nesta quarta-feira (30). A MP ainda precisa ser confirmada pelo Congresso Nacional. Se passar, atinge em cheio os 14 clubes da Série A que têm uma casa de apostas como patrocinadora máster.
A reportagem não informa a origem exata da estimativa de R$ 1,14 bilhão nem lista os clubes afetados. O dinheiro das bets sustenta contratações e a operação cotidiana das equipes, e dirigentes já demonstram preocupação com o efeito imediato nos orçamentos.
Um patrocinador que não tem substituto óbvio
Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports, afirmou à Exame que nenhum segmento, em nenhuma época do patrocínio esportivo no futebol brasileiro, colocou tanto dinheiro quanto as casas de apostas fizeram agora. A avaliação dele ajuda a entender o tamanho do buraco: não há outra categoria de anunciante que tenha pago valores comparáveis.
Reginaldo Diniz, CEO da End to End, disse que marcas de diversos segmentos devem avaliar as lacunas abertas no setor de patrocínios. Thiciana Simão, CEO da AdSports, afirmou que a situação exige velocidade, mas também cuidado na reorganização comercial dos clubes.
Gemini, BYD e GAC como referências
Os especialistas ouvidos apontam duas frentes para preencher o vazio. A primeira é a tecnologia. O Google Gemini fechou parcerias como parceira oficial de IA com Arsenal, Barcelona, Bayern de Munique, Liverpool e PSG, exemplo citado como modelo possível para clubes brasileiros.
A segunda é a mobilidade elétrica. A BYD foi parceira de mobilidade sustentável da Eurocopa 2024 e tem acordos com Manchester City, Inter de Milão, PSG, Corinthians e Bahia. A GAC Motor conquistou propriedades comerciais com o Flamengo. Alexandre Vasconcellos, gerente regional da Flashscore, disse que ligas e equipes globais se tornaram plataformas de conteúdo de alto nível, o que as torna atraentes para marcas de fora do esporte.
Como os clubes podem fechar o caixa no curto prazo
Enquanto não surge um patrocinador máster de peso equivalente, a Exame cita a saída de ações pontuais, vinculadas a uma partida ou a um evento. O Santos usou a final da Libertadores de 2020 para acordos desse tipo. O Corinthians promoveu lançamentos cinematográficos em uniformes. O Flamengo fez uma parceria com a Amazon Prime Video na Supercopa do Brasil.
Para os clubes, a conta depende do que o Congresso decidir sobre a MP. Se ela for confirmada, cada um terá de trocar contratos que sustentavam a folha por um conjunto de acordos menores, com marcas de setores que ainda não atuam no futebol brasileiro na mesma escala.



