segunda-feira, 5 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Bets: 26,5 milhões ainda têm R$ 1,33 bilhão nas casas no último dia de saque

Dados do Ministério da Fazenda mostram que, até a segunda-feira (5), 26,5 milhões de pessoas mantinham R$ 1,33 bilhão em bets. Quem não sacar até as 23h59 não perde o dinheiro: os bancos devolvem depois, até 14 de outubro.

Celular com aplicativo de apostas ao lado de notas de real
O prazo para saque voluntário nas bets terminou às 23h59 desta segunda-feira (5), conforme a medida provisória que proibiu as apostas de quota fixa. Foto: Pexels / Monstera Production

O Ministério da Fazenda informou nesta segunda-feira (5) que 26,5 milhões de pessoas ainda mantinham R$ 1,33 bilhão em plataformas de apostas de quota fixa, as bets, no último dia do prazo de saque voluntário. O limite é às 23h59 de hoje, segundo o g1, e foi fixado na medida provisória que proibiu o funcionamento das casas no país.

Quem deixar o dinheiro lá não o perde. Nesse caso, a devolução será feita depois pelos bancos responsáveis por operar os pagamentos das plataformas, conforme a mesma reportagem.

O calendário depois da meia-noite

A MP 1.394/2026 foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro e proibiu novos depósitos. De acordo com o Seu Dinheiro, os sites saem do ar nesta terça-feira (6). Nos dias 7 e 8, as empresas informam aos bancos o saldo remanescente de cada CPF, e as instituições financeiras têm até 14 de outubro para devolver tudo.

A Projuris, que detalhou o texto da MP, registra que a devolução deve ocorrer preferencialmente na conta de origem do apostador. Apostas sem resultado são restituídas por inteiro, sem desconto, e os prêmios já apurados estão garantidos até o prazo. As autorizações das operadoras são extintas em 25 de outubro.

Dois números que não batem

A Secretaria de Prêmios e Apostas da Fazenda tinha estimado, no anúncio da MP, que as casas teriam de devolver R$ 1,7 bilhão a 22,9 milhões de apostadores, segundo o Seu Dinheiro. O balanço desta segunda-feira traz um valor menor (R$ 1,33 bilhão) e um número maior de pessoas (26,5 milhões). Os textos consultados não explicam a diferença entre as duas contagens.

Pelas contas de cada balanço, o saldo médio por pessoa fica em torno de R$ 50 no dado mais recente. O Seu Dinheiro calculou cerca de R$ 73 por apostador na estimativa original.

Quem fiscaliza e quem pode reagir

A MP proíbe as apostas de quota fixa, o que inclui apostas esportivas e jogos online como o chamado jogo do tigrinho, e vale também para operadores sediados no exterior, segundo a Projuris. Outras modalidades lotéricas autorizadas por lei seguem funcionando.

A operadora que não cumprir a devolução paga R$ 200 mil por dia, e plataformas digitais podem receber multa de até 10% do faturamento. Os bancos ficam impedidos de processar Pix e transferências para as bets, exceto para devolução e encerramento de contas. A publicidade é vedada e deve sair do ar em até 10 dias. Um comitê coordenado pela Casa Civil supervisiona o cumprimento.

O setor já reage. Segundo o Seu Dinheiro, a Associação Nacional de Jogos e Loterias recorreu ao Supremo Tribunal Federal, e representantes das empresas preparam uma ofensiva no Congresso para derrubar a medida, com maior pressão prevista depois das eleições. Uma MP precisa ser votada pelo Congresso para virar lei, e o texto pode perder a validade se isso não acontecer no prazo.

O que fazer com o saldo que sobrou

Quem ainda tem dinheiro na conta de uma bet pode sacar até as 23h59 de hoje pela própria plataforma. Quem perder o prazo deve acompanhar a conta bancária entre 9 e 14 de outubro e, se o valor não chegar, procurar o banco e a operadora, que respondem pela devolução e estão sujeitas à multa diária.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.