A intenção do consumidor brasileiro de usar inteligência artificial durante as compras da Black Friday saltou de 75% para 86% em um ano, segundo pesquisa da Stefanini Marketing divulgada com exclusividade ao Valor Econômico nesta segunda-feira, 28 de setembro. O levantamento ouviu 1.000 consumidores e integra o estudo Black Friday Talks, assinado também pelas consultorias Gauge, W3haus e Ecglobal, de acordo com o InfoMoney. Hoje, 36% dos entrevistados já usaram alguma ferramenta de IA para comprar em edições anteriores da data.
Entre os que pretendem recorrer à tecnologia neste ano, 49% querem comparar preços entre lojas, 47% verificar se a promoção anunciada é real, 42% tirar dúvidas sobre o produto e 42% checar a credibilidade da loja antes de fechar a compra. A pesquisa permitia mais de uma resposta por entrevistado.
Onde a desconfiança do consumidor pesa mais
A preocupação com desconto falso aparece também no comportamento de pesquisa: 56% dos consumidores começam a procurar ofertas com mais de 30 dias de antecedência, contra 21% em 2021, de acordo com o InfoMoney. Em média, cada pessoa consulta cinco canais diferentes antes de comprar, e 71% participam de grupos ou canais dedicados a promoções.
Segundo Guilherme Stefanini, CMO global do Grupo Stefanini e CEO da Stefanini Marketing, o consumidor brasileiro de 2026 não se contenta com a promessa de um preço baixo: quer provas de que a oferta é verdadeira antes de finalizar a compra.
Até onde o consumidor deixa a IA decidir
A confiança na tecnologia tem limite. Apenas 20% dos entrevistados afirmam que deixariam uma ferramenta de IA concluir a compra sozinha, sem intervenção humana. Outros 40% permitem que ela monte o carrinho, 31% restringem seu uso a alertas de preço e 35% preferem manter a decisão final nas próprias mãos, segundo a pesquisa.
O levantamento mostra ainda que sete em cada dez consumidores chegam à ferramenta de IA com o produto já definido, e mais da metade fornece especificações técnicas e modelo exatos antes de pedir ajuda para encontrar o melhor preço.
Por que o ticket médio deve cair apesar do faturamento recorde
O varejo brasileiro projeta faturamento de R$ 14,5 bilhões na semana da Black Friday de 2026, alta de 8,4% sobre 2025, com 18,3 milhões de pedidos, 10,8% a mais que no ano anterior, segundo os dados do estudo citados pelo InfoMoney. O ticket médio, porém, deve recuar 2,2%, de R$ 808,50 para cerca de R$ 791.
A combinação de mais pedidos com ticket menor indica que o consumidor armado de IA compra com mais frequência, mas gasta menos por vez, em parte porque usa a tecnologia para evitar preços inflados antes do desconto. Para o varejo, isso significa disputar volume em vez de margem, num momento em que 51% da população adulta, ou 83,9 milhões de pessoas, está inadimplente, com comprometimento de renda em 28,5%, o maior patamar da série histórica, de acordo com a pesquisa.



