terça-feira, 8 de setembro de 2026 · Edição diária

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BNDES deve aprovar mais de R$ 95 bi em infraestrutura em 2026, maior volume desde 2014

Consultas ao banco mais que triplicaram no 1º semestre em meio à escassez de crédito no mercado; expectativa é encerrar o ano com volume de aprovações não visto desde 2014. Bancos privados reclamam que a estatal está indo além do papel e ocupando espaço das debêntures incentivadas.

Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, em entrevista coletiva na sede do banco, no Rio de Janeiro
Aloizio Mercadante preside o BNDES desde o início do governo Lula e tem conduzido a expansão do banco em infraestrutura, saneamento e transição energética. Foto: Divulgação / BNDES

O BNDES deve encerrar 2026 com aprovações de crédito em infraestrutura superiores a R$ 95 bilhões, o maior volume desde 2014. No primeiro semestre, o número de consultas de empresas ao banco, primeira etapa do processo de financiamento, mais que triplicou na comparação com o mesmo período do ano passado, em meio à escassez de recursos no mercado de capitais. Os dados foram publicados nesta terça-feira (8) pelo Valor Econômico.

A expansão ocorre num contexto de juros estruturalmente altos no Brasil e de migração parcial da captação privada para debêntures incentivadas, instrumento que conta com isenção de IR para projetos de infraestrutura. Procuradores do banco e técnicos do Ministério do Planejamento já tinham sinalizado, em abril, que a demanda pelo BNDES voltou ao padrão do ciclo de obras do PAC, quando o banco era praticamente o único financiador de porte disponível.

A disputa com os bancos privados

A maior presença do BNDES em 2026 vem sendo alvo de críticas de grandes bancos privados que coordenam emissões de debêntures incentivadas. Para executivos dessas instituições, o banco estatal pode estar indo além do que deveria ser o seu papel, com atuação marcante em operações que, segundo eles, encontrariam solução direta no mercado. A leitura interna do BNDES é diferente: a escassez de crédito privado forçou a instituição a ocupar o vácuo deixado pelos bancos comerciais.

Para onde vai o dinheiro

Os desembolsos do BNDES em infraestrutura em 2026 se concentram em quatro frentes. Saneamento responde pela maior fatia, com aportes em concessões estaduais e municipais que assumiram ativos antes operados por estatais locais. Energia e transmissão aparecem em segundo, puxados por projetos de transição energética,储能 equivalente em português a armazenamento de energia, e modernização de redes. Logística responde por uma terceira fatia, com ferrovias e portos, e vem em seguida o bloco de mobilidade urbana, incluindo metrô e trens regionais.

O banco também retomou neste ano linhas de financiamento para projetos de descarbonização e eficiência energética de grandes consumidores industriais, segmento que ficou em segundo plano entre 2022 e 2024. A combinação entre a reabertura dessas linhas e o volume de consultas acima da média explica por que a projeção de R$ 95 bilhões pode ser superada sem grande esforço, dizem técnicos da área de planejamento do banco.

Próximos passos

A próxima vitrine do BNDES em 2026 será a divulgação do balanço do terceiro trimestre, prevista para novembro, quando o banco deve atualizar a projeção de aprovações e detalhamento por setor. Mercadante tem usado as apresentações externas do banco para defender que a expansão do crédito em infraestrutura não é concorrência desleal com o mercado privado, mas resposta ao vácuo deixado por ele, em meio ao ciclo de aperto monetário.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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