domingo, 6 de setembro de 2026 · Edição diária

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Dataprev diz que IA já analisou 88 milhões de contratos de consignado e nuvem chega a 80 petaflops

Rodrigo Assumpção, presidente da Dataprev, disse na Febraban Tech 2026 que a nuvem da estatal opera com 80 petaflops e que a inteligência artificial já analisou 88 milhões de contratos de empréstimo consignado, mantendo os modelos fora de provedores estrangeiros de nuvem.

Servidores de data center em ambiente corporativo
A Dataprev afirma manter os modelos de inteligência artificial dentro de sua própria infraestrutura, sem uso de nuvem pública. Foto: Pexels / Brett Sayles

Rodrigo Assumpção, presidente da Dataprev, afirmou nesta sexta-feira (28), durante a Febraban Tech 2026, em São Paulo, que a nuvem da estatal já opera com 80 petaflops de capacidade e está em expansão para suportar aplicações de inteligência artificial, de acordo com o Convergência Digital.

Segundo Assumpção, a meta da Dataprev é manter os modelos de IA dentro da própria estatal, sem depender de provedores de nuvem pública para processar dados de aposentados, pensionistas e beneficiários do INSS. Ele descreveu essa estrutura como parte da Infraestrutura Nacional de Dados, termo que usa para o conjunto de bases que sustentam serviços públicos digitais no país.

88 milhões de contratos sob análise da IA

No caso dos empréstimos consignados, Assumpção disse que a companhia usou inteligência artificial para analisar 88 milhões de contratos. Ele não detalhou se a análise serve à concessão dos empréstimos, à auditoria de irregularidades ou a outro tipo de checagem, nem em qual etapa do processo a tecnologia atua. O alcance real da varredura segue incerto.

O presidente da Dataprev também citou o aplicativo Meu INSS, que processa 540 mil requerimentos por mês, segundo ele. Nesse volume, disse, a inteligência artificial já ajuda a reduzir o tempo de atendimento aos segurados, embora ele não tenha citado um prazo médio antes e depois da tecnologia.

O chatbot Helo troca burocratês por linguagem simples

Assumpção anunciou que uma nova versão do chatbot Helo, usado no atendimento do INSS, estreia no início de setembro com simplificação da linguagem das respostas.

Para ele, expressões do jargão previdenciário atrasam o entendimento de quem recebe uma resposta do INSS, mesmo quando o pedido já foi aprovado. A nova versão do chatbot deve reduzir esse tipo de confusão no atendimento digital.

Assumpção também comentou a disputa global por inteligência artificial. Ele disse que o Brasil corre o risco de depender de modelos criados nos Estados Unidos e na China caso não amplie a própria infraestrutura de nuvem e processamento. Para o presidente da Dataprev, essa disputa está ligada à capacidade de geração de energia do país, já que rodar inferências de IA em escala depende diretamente de energia disponível.

Quem sente a mudança no atendimento do INSS

A promessa da Dataprev afeta diretamente quem depende do Meu INSS para pedir aposentadoria, pensão ou revisão de benefício. Se a nova versão do Helo cumprir o que Assumpção anunciou, o segurado deve receber respostas em linguagem mais direta a partir de setembro, sem os termos técnicos que hoje geram dúvida mesmo em pedidos já aprovados. A decisão de manter os modelos de IA fora de provedores de nuvem pública, por sua vez, mantém a Dataprev alinhada ao discurso do governo sobre soberania de dados, tema que ganhou força em meio à disputa internacional por infraestrutura de inteligência artificial.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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