segunda-feira, 12 de outubro de 2026 · Edição diária

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Brad Smith, da Microsoft, diz que a IA tem menos regras de segurança que o leite

Em entrevista à BBC divulgada nesta segunda-feira (12), o presidente da Microsoft propõe regras globais, avaliadores independentes, aviso obrigatório à vítima de invasão por agente de IA e um freio de emergência.

Brad Smith, presidente da Microsoft, durante evento
Brad Smith, presidente da Microsoft, defendeu em entrevista à BBC regras globais de segurança para a inteligência artificial. Foto: Web Summit / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O presidente da Microsoft, Brad Smith, afirmou em entrevista à BBC, divulgada nesta segunda-feira (12), que a inteligência artificial está sujeita a menos exigências de segurança do que produtos comuns de supermercado. Segundo a CNN Brasil, ele defendeu um conjunto de regras globais, com avaliadores independentes capazes de analisar cada novo avanço tecnológico.

De acordo com a CNN Brasil, Smith também participou de um evento em Bruxelas. Para a entrevista, porém, escolheu uma comparação doméstica: "Neste momento, sua máquina de lavar está sujeita a mais normas de segurança do que a inteligência artificial."

Ele acrescentou que cada caixa de leite vendida no supermercado passa por normas de segurança e inspeção. O setor de tecnologia, disse, deveria aproveitar esse conhecimento acumulado e aplicá-lo à IA.

As quatro propostas do executivo

A primeira é a criação de regras globais de segurança, com avaliadores independentes. A segunda obriga a notificação da "vítima" quando o sistema dela for invadido por um agente de IA malicioso. A terceira prevê um "freio de emergência" para interromper sistemas. A quarta exige por lei que as empresas redijam relatórios de incidentes.

O pedido surge quando Anthropic e OpenAI passaram a divulgar comportamentos anômalos ou indesejados de seus agentes de IA, segundo a CNN Brasil. Pesquisadores alertaram para uma possível ameaça existencial à humanidade, e algumas empresas chegaram a pedir desaceleração do desenvolvimento. A reportagem registra um debate sobre as intenções desses executivos: eles podem buscar regras que protejam a liderança de suas companhias, antecipar uma reação dos governos ou reduzir gastos.

Por que Londres, e não Bruxelas

Smith disse considerar a Grã-Bretanha o país mais bem posicionado para liderar a regulação da IA. Ele citou o Instituto de Segurança da IA, criado no governo do ex-primeiro-ministro Rishi Sunak. O órgão tem acesso prévio à implementação dos principais modelos, por meio de acordos voluntários, o que permite avaliar capacidades e riscos antes da chegada ao público.

O executivo afirmou ainda que autoridades em Washington enxergam Londres de outra forma que Bruxelas. A União Europeia regula a IA conforme o nível de risco, por meio da Lei de IA. A reportagem lembra que as preocupações com software em nuvem de empresas americanas cresceram desde que Donald Trump voltou ao poder.

O ministro da Inteligência Artificial do Reino Unido, Kanishka Narayan, disse à Reuters que o país consideraria regular modelos avançados se o sistema atual se mostrar insuficiente.

Que obrigações cairiam sobre os provedores de IA

Na prática, a agenda de Smith colocaria sobre os provedores de IA obrigações que hoje não existem na maioria dos países: avisar quem foi atacado por um agente, registrar incidentes por exigência legal e manter um mecanismo de interrupção. Para empresas brasileiras que contratam modelos e agentes de big techs, isso levaria a cláusulas novas de segurança e de notificação nos contratos, caso regras semelhantes cheguem ao mercado local. Por ora, as propostas são a posição de uma fabricante, sem lei aprovada em nenhum país citado na entrevista.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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