A Brazil Potash divulgou nesta terça-feira (13) resultados de testes em que a inteligência artificial separou minério de maior teor no projeto de potássio de Autazes, no Amazonas. Segundo a empresa, a técnica pode ampliar a produção e prolongar a vida útil da futura mina. Os ensaios foram feitos em parceria com a empresa de engenharia ERCOSPLAN, de acordo com a CNN Brasil.
Em uma das amostras, o teor de cloreto de potássio (KCl) subiu de cerca de 13% para 27% depois da separação. Cerca de 20% do material de pior qualidade pôde ser descartado antes do beneficiamento, etapa que concentra custo e consumo de energia.
Como a máquina escolhe o minério
O sistema combina sensores de raios X com modelos de aprendizado profundo, treinados com milhões de imagens, que reconhecem formato, tamanho e cor de cada partícula. Quando o modelo identifica uma pedra de baixa qualidade, válvulas de alta velocidade soltam um jato de ar comprimido e a retiram da linha. O resto segue para o processamento.
A companhia afirma que a estratégia poderia elevar a produção sem a necessidade de um terceiro poço de mina. Também permitiria aproveitar áreas do depósito que hoje não se pagam economicamente. O CEO, Matt Simpson, afirmou que os resultados abrem a chance de ampliar a flexibilidade de produção no futuro.
O que ainda não está provado
As amostras foram pequenas e não representam uma operação industrial. A própria empresa diz que testes em escala maior só devem ocorrer depois do início da produção comercial, e que a adoção depende de novas avaliações técnicas, de engenharia e de viabilidade econômica. Em outras palavras, o ganho de teor está medido em laboratório, e o efeito sobre custo e volume da mina ainda não.
O projeto é tocado pela subsidiária Potássio do Brasil e busca aumentar a oferta nacional de um insumo básico dos fertilizantes. O potássio é um dos três macronutrientes do NPK, ao lado de nitrogênio e fósforo. Segundo a Brazil Potash, cerca de 96% do potássio consumido no Brasil em 2025 foi importado.
Quem depende do resultado
Para o agronegócio, que compra fertilizante em dólar e sujeito a oscilações de frete e de oferta externa, qualquer aumento de produção doméstica reduz a exposição ao mercado internacional. Mas a mina de Autazes ainda não produz, e o teste divulgado não altera esse calendário por si só.
Para a Brazil Potash, a IA funciona como argumento de viabilidade: descartar um quinto do material ruim antes de processá-lo melhora a conta de cada tonelada e pode adiar investimentos em novos poços. O que decide se a promessa vira receita é o teste em escala industrial, que a empresa só prevê depois de a produção comercial começar.



