sábado, 12 de setembro de 2026 · Edição diária

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OpenAI só quer ganhar, diz Buckmaster sobre a corrida na matemática

O professor da NYU recusou uma oferta da casa de Sam Altman e descreveu a briga com a Anthropic como drama infantil entre empresas de trilhão. A Verge publicou neste sábado.

Tristan Buckmaster, professor de matemática da NYU.
Tristan Buckmaster, professor da NYU: recusou oferta da OpenAI e disse que a empresa trata a matemática como caça ao troféu, não como ciência. Foto: Wikimedia Commons

Tristan Buckmaster, professor da NYU no centro da polêmica do Millennium Prize, afirmou neste sábado (12) que a OpenAI, de Sam Altman, não faz matemática para avançar o campo. Faz para ganhar. Em entrevista ao The Verge, às 11h UTC, descreveu a corrida com a Anthropic como "drama infantil entre duas empresas de trilhão que agem como criança". A casa anunciou nesta semana uma solução para Navier-Stokes, um dos sete problemas do prêmio de US$ 1 milhão. Em vez de festa, o campo reagiu com desconfiança.

Buckmaster e Levent Alpöge, da Anthropic, também corriam o mesmo problema, numa colaboração pessoal. Quando a OpenAI soube, segundo o professor, o pesquisador Sébastien Bubeck ofereceu compute praticamente ilimitado e a autoria exclusiva do paper da casa, desde que Alpöge ficasse de fora. "Tudo o que eu tinha que fazer era jogar o Levent debaixo do ônibus." Recusou. Chamou a oferta de suborno. Bubeck negou a caracterização ao New York Times, mas admitiu que a afiliação de Alpöge à Anthropic era um problema: "Como ter um projeto interno da OpenAI com um funcionário da Anthropic?"

A OpenAI diz que 10 mil agentes, dezenas de milhões de dólares de compute e 88 horas bastaram para achar a solução. A porta-voz Laurance Fauconnet afirmou à Verge que é "categórico" que os prompts de Buckmaster no Codex nos últimos dois meses não influenciaram o sistema. Ele não compra: "Dado o comportamento até agora, dá para ler isso com grande ceticismo." Andreas Thom, de Dresden, que já cobrou a casa por um resultado construído em cima do trabalho dele, disse que suspeita que a OpenAI nem saiba se as conversas no ChatGPT alimentaram o modelo. "Na prática, significa que eles não se importam."

Mais de uma dúzia de matemáticos falaram à Verge. Mesmo os céticos das acusações mais graves descreveram um campo abalado. Shing-Tung Yau, Fields Medal, teme o efeito nos jovens: competir com empresa cujo recurso supera o grupo acadêmico deixa o doutorando ainda mais relutante a atacar pergunta ambiciosa. A Declaração de Leiden, princípios para uso responsável de IA na matemática, passou de 3.900 assinaturas. A OpenAI retirou o patrocínio de um hackathon de graduação no Caltech depois da oposição.

A Clay Mathematics Institute tirou Navier-Stokes da lista de problemas em aberto, mas ainda não declarou resolvido. Exige dois anos e aceitação geral. Enquanto isso, a OpenAI já anunciou "progresso substancial" em outro Millennium Prize. Buckmaster resumiu o recado: "Eles não se importam com a gente como comunidade. É só essa briga mesquinha."

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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