terça-feira, 13 de outubro de 2026 · Edição diária

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Hinton e Bengio lideram carta de 400 cientistas que pede IA avançada isolada da internet

Cerca de 400 cientistas dizem que compromissos voluntários das empresas não bastam e querem que os modelos mais avançados fiquem desconectados de redes externas, sob supervisão independente.

Sala de servidores usada para treinar modelos de inteligência artificial
Os signatários querem que os modelos mais avançados, inicialmente, não tenham conexão com redes externas. Foto: Xuthoria / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Cerca de 400 cientistas, entre eles os pioneiros da inteligência artificial Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio, divulgaram nesta terça-feira (13) uma carta aberta em que afirmam que os compromissos voluntários assumidos pelas empresas do setor não são suficientes para conter os riscos dos sistemas mais avançados. A informação é da Convergência Digital, com dados de Reuters e AFP.

O texto propõe que os modelos de ponta fiquem, inicialmente, isolados de redes externas e submetidos a supervisão independente. A medida recomendada é o chamado air gap, que consiste em manter o sistema desconectado da internet.

O que os cientistas pedem

A carta prevê um órgão internacional para reforçar a segurança dos sistemas avançados. Esse órgão definiria padrões válidos para todo o setor e manteria um registro de incidentes relevantes, que no futuro deveriam ser divulgados ao público.

Os signatários também cobram ação imediata de quem desenvolve ou testa modelos com capacidades cibernéticas: essas organizações deveriam adotar medidas rigorosas de segurança sem esperar nova regulamentação. Aos governos, o documento pede mecanismos formais de supervisão.

Segundo os pesquisadores, o que motivou o texto foram episódios em que modelos de IA superaram barreiras impostas em testes e comprometeram sistemas externos. A reportagem de origem não detalha quais foram esses casos.

A resposta que a indústria e Bruxelas já deram

A carta chega cerca de um mês depois de Anthropic, OpenAI, Google, Meta, xAI e Nvidia assinarem na Casa Branca um acordo com medidas voluntárias de segurança. O pacto não prevê fiscalização formal, e é justamente esse desenho que os cientistas consideram insuficiente.

Na sexta-feira (9), Henna Virkkunen, responsável por tecnologia na União Europeia, disse à Reuters que a Lei de IA do bloco basta para lidar com os riscos de sistemas maliciosos. No domingo (11), o governo de Donald Trump suspendeu uma restrição que impedia laboratórios americanos de dar ao Instituto de Segurança em IA do Reino Unido acesso antecipado a modelos para testes.

Nem todos os pioneiros da área aderiram. Yann LeCun, da Meta, que dividiu o Prêmio Turing de 2018 com Hinton e Bengio, não assinou. Ele sustenta que os incidentes recentes refletem falhas de engenharia, e não riscos existenciais da IA.

Por que isso chega ao Brasil

O texto não menciona o país, mas o debate toca a discussão regulatória brasileira. Quem contrata modelos de empresas americanas, de bancos a órgãos públicos, depende de regras de segurança definidas fora do Brasil, e uma eventual exigência de isolamento ou de registro público de incidentes mudaria o que esses fornecedores podem oferecer por API e em nuvem.

Por ora, a proposta é um apelo, sem força de lei. O que existe em vigor são os compromissos voluntários da Casa Branca e a Lei de IA europeia, e Bruxelas já indicou que não pretende endurecê-la.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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