sábado, 10 de outubro de 2026 · Edição diária

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Disputa por memória para IA leva celular intermediário a custar até R$ 7 mil no Brasil

A disputa por chips e memória RAM para equipar data centers de inteligência artificial fez o teto de preço dos celulares intermediários saltar de R$ 3.000 em 2025 para R$ 7.000 em 2026, segundo teste do Guia de Compras do g1 com cinco aparelhos à venda no país.

Celulares intermediários lado a lado em teste de comparação
Teste do g1 reuniu cinco celulares intermediários vendidos no Brasil, com preços de R$ 2.100 a R$ 7.000. Foto: Pexels

O preço máximo dos celulares Android intermediários no Brasil subiu de R$ 3.000 em 2025 para R$ 7.000 em 2026, segundo um teste do Guia de Compras do g1 publicado nesta sexta-feira (9) com cinco aparelhos à venda nas principais lojas da internet.

A alta tem uma explicação, de acordo com a reportagem: a disputa por chips e memória RAM, peças também usadas para equipar data centers de inteligência artificial. A demanda das empresas de tecnologia por memória para treinar e operar modelos de IA encareceu o insumo também para quem fabrica smartphones.

Com isso, um intermediário mais caro passou a custar o mesmo que um celular topo de linha de uma ou duas gerações atrás. Por R$ 4.500 ou menos, segundo o levantamento, o consumidor já encontra um iPhone 16 ou um Galaxy S25.

Cinco modelos, cinco faixas de preço

O teste reuniu Jovi V70 (na faixa dos R$ 3.000), Motorola Edge 70 Pro (de R$ 3.200 a R$ 4.500), Oppo Reno 16 (de R$ 5.000 a R$ 7.000), Realme 16 (R$ 2.400) e Samsung Galaxy A57 (de R$ 2.100 a R$ 2.400), com valores consultados em outubro. A Xiaomi foi convidada a participar com o Redmi Note 17 Pro Max, mas decidiu não enviar o aparelho.

As configurações também variam entre os modelos. Jovi, Motorola e Realme usam processadores MediaTek, a Oppo tem um Snapdragon 7 Gen 4 da Qualcomm e a Samsung aposta no Exynos 1680, fabricado pela própria empresa. O Edge 70 Pro é o único com 12 GB de RAM, contra 8 GB dos concorrentes.

Quem lidera em desempenho e bateria

Nos testes de desempenho, Motorola Edge 70 Pro e Samsung Galaxy A57 dividiram a liderança, seguidos por Jovi e Oppo, com o Realme 16 em último lugar. Na bateria, o resultado se inverteu em parte: o Jovi V70 durou 27h15 no teste de uso contínuo, mais de sete horas acima do Realme 16 (19h39), que tem a mesma capacidade de 7.000 mAh.

Edge 70 Pro e Oppo Reno 16 empataram em 16h47, atrás do Galaxy A57, que durou 17h32 mesmo com a menor bateria do grupo, de 5.000 mAh. A diferença mostra que a capacidade da bateria, por si só, não garante mais autonomia: o gerenciamento de energia de cada fabricante pesa tanto quanto o tamanho do componente.

Por que esperar pode baixar o preço

O levantamento do g1 também mostrou que marcas mais consolidadas no Brasil, como Motorola e Samsung, reduzem o preço dos aparelhos mais rápido que as concorrentes chinesas recém-chegadas ao país. O Moto Edge 70 Pro, lançado em maio por R$ 4.499, já era vendido por R$ 3.200 no início de outubro. O Galaxy A57, lançado em abril por R$ 3.600, caiu para a faixa de R$ 2.000 a R$ 2.400 no mesmo período.

Para quem decide comprar um intermediário agora, a conclusão do teste aponta o Galaxy A57 como o melhor equilíbrio entre preço e desempenho entre os cinco modelos avaliados. O histórico de queda rápida de preço de Motorola e Samsung indica que esperar alguns meses depois do lançamento continua sendo a forma mais simples de pagar menos pelo mesmo aparelho.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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