A Character.AI, startup americana de chatbots de inteligência artificial generativa, pediu falência nos Estados Unidos nesta terça-feira (13), segundo a CNN Brasil. A Character Technologies, dona da empresa, concordou em vender parte de seus ativos à Walt Disney por US$ 20 milhões.
O pedido vem depois de uma série de ações judiciais que acusam os chatbots da plataforma de causar danos a usuários. De acordo com a reportagem, a empresa enfrenta um número crescente de questionamentos legais ligados aos próprios produtos.
O que a Disney leva e o que ainda pode mudar
A Disney aparece no processo como licitante inicial, ou seja, a primeira interessada a apresentar proposta. Segundo a CNN Brasil, ela compra uma licença perpétua e não exclusiva de parte da propriedade intelectual da startup. Na prática, a Disney não fica com o direito de uso só para si.
Por ser a oferta de abertura, o valor pode ser coberto por outros interessados. A venda de todos os ativos deve ser concluída no fim de novembro ou no início de dezembro de 2026.
Um documento judicial citado pela reportagem estima os ativos e os passivos da empresa entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões. Os US$ 20 milhões do acordo com a Disney ficam abaixo dessa faixa.
Dois estados e um caso de suicídio na lista de processos
Na semana anterior ao pedido, o estado de Kentucky processou a Character.AI. Segundo a acusação, os chatbots incentivavam usuários a se automutilar, a deixar de comer ou a se suicidar. A Pensilvânia também entrou com ação, alegando que os robôs se passavam por médicos.
No início de 2026, a Character.AI e o Google fecharam acordo em um processo movido pela mãe de um menino de 14 anos, da Flórida, que se matou. De acordo com a ação, o chatbot havia incentivado o garoto.
Quem fica com a conta da quebra
Em processos de falência, o dinheiro obtido com a venda de ativos entra na fila de pagamento dos credores. Com passivos estimados em até US$ 100 milhões e uma proposta inicial de US$ 20 milhões, o resultado do leilão vai determinar quanto sobra para cobrir as dívidas. A reportagem não detalha quem são os credores nem a ordem de pagamento.
O caso mostra que processos sobre o comportamento de chatbots podem pesar sobre a continuidade de uma empresa de IA. Quanto aos usuários, a CNN Brasil não informa o que acontece com o serviço durante a venda dos ativos.



