A América Latina registrou a maior taxa de risco de vazamento de dados sensíveis entre as regiões analisadas em um estudo sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa dentro de empresas, divulgado nesta sexta-feira (9) pela Check Point Research e citado pela CNN Brasil. Segundo o levantamento, feito com base em dados coletados entre julho e agosto de 2026, 1 em cada 29 prompts enviados a essas ferramentas na região, o equivalente a 3,5% do total, apresentava alto risco de expor informações sensíveis.
A proporção latino-americana superou a de outras regiões do mundo. Nos Estados Unidos e no Canadá, a taxa foi de 3,1% (1 em cada 32 prompts). Na Europa, caiu para 2,5% (1 em cada 40). E na Ásia-Pacífico, o índice foi o menor entre os quatro blocos, de 2,4% (1 em cada 41 prompts), de acordo com a Check Point Research.
O volume de falhas encontradas com ajuda da IA
O estudo também mediu o impacto da inteligência artificial na descoberta de vulnerabilidades em sistemas corporativos. No primeiro semestre de 2026, cerca de mil falhas de segurança foram identificadas com o auxílio de ferramentas de IA, segundo a Check Point Research. Apenas 1% desse total, no entanto, se converteu em risco real de ataque, o que indica que a tecnologia tem ajudado mais a mapear brechas do que a evitar que elas sejam exploradas.
A pesquisa cita como exemplo o volume de correções de segurança lançadas por grandes fornecedores de software neste ano. A Microsoft divulgou em julho de 2026 uma atualização com recorde de 570 correções, enquanto a Oracle publicou em sua atualização trimestral mais de 1.400 correções. Entre os produtos mencionados no levantamento estão o Microsoft 365 Copilot e o Word Copilot, ferramentas de IA generativa incorporadas ao pacote de escritório da empresa.
Defesas tradicionais não acompanham o ritmo
O Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido (NCSC) alertou, segundo o estudo, para o risco de uma onda de correções provocada pelo aumento de vulnerabilidades identificadas com o auxílio de inteligência artificial. A entidade avalia que o ritmo de descoberta de falhas cresceu mais rápido do que a capacidade das equipes de segurança de aplicar os ajustes necessários nos sistemas.
A conclusão da Check Point Research é que, embora a inteligência artificial generativa tenha se tornado uma ferramenta de apoio para detectar falhas, as defesas tradicionais usadas pelas empresas ainda não acompanham o volume de dados processados por essas aplicações. O resultado é uma combinação entre mais ferramentas de IA em uso corporativo e mais pontos de exposição para informações como dados de clientes e de operações internas.
O que a taxa mais alta significa para empresas da região
A taxa de risco mais alta registrada na América Latina ocorre em um momento de adoção crescente de ferramentas de IA generativa por empresas da região, que incorporam assistentes como o Copilot a tarefas do dia a dia sem necessariamente ajustar políticas internas de uso de dados. Cada prompt considerado de alto risco, segundo a metodologia da Check Point Research, é aquele em que o conteúdo enviado à ferramenta poderia expor informações sensíveis caso a interação não fosse protegida ou monitorada pela área de segurança da companhia.
Para empresas brasileiras, que acompanham a tendência regional de uso crescente de assistentes de IA no trabalho, o estudo da Check Point Research funciona como um alerta sobre a necessidade de políticas de governança para o uso dessas ferramentas, com monitoramento do que é enviado aos modelos e checagem periódica das correções de segurança publicadas por fornecedores como Microsoft e Oracle.



