segunda-feira, 28 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

China diz que Estados Unidos dividem responsabilidade por controlar riscos da inteligência artificial

O comentário da Yuyuantantian, conta ligada à CCTV, veio dias depois do encontro entre Xi Jinping e Donald Trump em Washington, que também resultou em um canal bilateral para incidentes de IA e um diálogo sobre superinteligência, ambos ainda sem data para começar a funcionar.

Bandeiras da China e dos Estados Unidos lado a lado, simbolizando a disputa pela regulação da inteligência artificial
Xi Jinping e Donald Trump se reuniram em Washington antes de a mídia estatal chinesa afirmar que os dois países dividem a responsabilidade pela gestão da inteligência artificial. Foto: Pexels / https://kaboompics.com

A China tem capacidade e responsabilidade, ao lado dos Estados Unidos, para administrar o desenvolvimento da inteligência artificial. A avaliação está em um texto publicado no domingo (27) pela Yuyuantantian, conta de mídia social ligada à emissora estatal chinesa CCTV, poucos dias depois de uma cúpula entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o americano, Donald Trump, em Washington, segundo o Valor Econômico.

O texto reproduz uma fala de Xi Jinping segundo a qual os dois países devem garantir que a inteligência artificial permaneça sob controle humano e beneficie a população. O presidente chinês disse a frase durante o encontro com Trump na Casa Branca, e a mídia estatal chinesa a registrou assim, de acordo com a CNN Brasil:

Xi fez a declaração no Grande Foyer da Casa Branca, durante a reunião com Trump. Dias depois, a mídia estatal chinesa voltou a reproduzi-la como resumo da posição de Pequim sobre o tema, segundo a CNN Brasil.

Os canais criados na cúpula de Washington

Os governos dos dois países vão criar um canal de comunicação bilateral dedicado a incidentes ligados à inteligência artificial e um diálogo EUA-China sobre superinteligência, para troca de posições sobre riscos e benefícios da tecnologia, segundo o jornal português Observador, que citou um anúncio da Casa Branca. O anúncio saiu na sexta-feira (25), quando terminou a visita de Estado de Xi a Washington.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, defendeu a criação de um mecanismo de notificação entre os dois países para casos de incidentes que envolvam segurança nacional. Segundo o Observador, ele disse que é preciso caminhar da opacidade para mais transparência entre as duas maiores potências em inteligência artificial.

Onde as duas potências ainda divergem

A convergência discursiva sobre o controle humano da tecnologia contrasta com diferenças de fundo entre os dois governos. Trump tem defendido publicamente que os Estados Unidos mantenham a dianteira na corrida por inteligência artificial e disse no sábado (26) que pretende continuar à frente da China no setor, segundo a CNN Brasil.

Do lado chinês, o ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, criticou no domingo o que chamou de práticas hegemônicas dos Estados Unidos. Ele citou listas de restrição a empresas chinesas, tentativas de monopolizar padrões técnicos e a formação de blocos tecnológicos fechados, segundo a CNN Brasil. Uma pesquisa da Edelman de 2025 citada pela reportagem mostra a distância entre as duas populações: 72% dos chineses disseram confiar na inteligência artificial, contra 32% dos americanos entrevistados.

O canal que ainda não saiu do papel

Casa Branca e governo chinês não deram prazo para colocar em funcionamento o canal sobre incidentes nem o diálogo sobre superinteligência. Para empresas e investidores do setor, isso deixa em aberto qual regra vai valer se um incidente grave de segurança envolver um sistema de IA chinês ou americano.

O mercado de tecnologia ligado à inteligência artificial, com nomes como Nvidia, Google, Baidu, AMD e Alibaba, acompanha de perto qualquer sinal de acordo ou ruptura entre Washington e Pequim. A divisão de responsabilidades entre os dois governos pode determinar se empresas chinesas de IA, como DeepSeek, Alibaba, Moonshot, Z.AI e Minimax, terão espaço para operar fora da China, segundo a CNN Brasil e a Bloomberg.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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