sábado, 10 de outubro de 2026 · Edição diária

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Ciera Genomics projeta R$ 48 milhões em 2028 com IA, mas tem menos de 300 profissionais ativos

A biotech brasileira, fundada em 2023, faturou R$ 5,9 milhões em 2025 e projeta R$ 12 milhões em 2026. A meta para 2028 é 16 vezes a receita de 2024, hoje toda ela vinda do processamento de exames.

Pesquisador analisa dados genéticos em laboratório
A Ciera Genomics combina inteligência artificial e bioinformática para cruzar dados genéticos, metabólicos e de microbiota. Foto: Pexels / Thirdman

A Ciera Genomics, biotech brasileira de medicina de precisão, projeta chegar a R$ 48 milhões de faturamento em 2028, segundo reportagem da Exame publicada neste sábado (10). O valor equivale a 16 vezes a receita de 2024, que foi de R$ 3 milhões. A empresa usa inteligência artificial para cruzar dados genéticos, metabólicos e de microbiota e entregar laudos a profissionais de saúde.

Da receita de R$ 3 milhões aos R$ 48 milhões projetados

A empresa foi fundada em 2023 por Raphael Pelegrino, publicitário e empreendedor, em parceria com especialistas em saúde. O faturamento passou de R$ 3 milhões em 2024 para R$ 5,9 milhões em 2025, e a projeção para 2026 é de R$ 12 milhões. Para chegar aos R$ 48 milhões em 2028, a receita precisaria quadruplicar em dois anos.

Hoje a Ciera tem cinco produtos no portfólio e pretende chegar a 12 até o fim do primeiro trimestre de 2027. Estão em desenvolvimento linhas para pediatria, saúde da mulher e acompanhamento após o tratamento de câncer. O fundador resumiu o modelo de negócio à Exame:

Segundo Pelegrino, hoje 100% do faturamento da empresa vem do processamento de exames.

Laudos de 100 páginas e uma base de poucos médicos

Os laudos genéticos podem ser extensos. Pelegrino disse à Exame que dois ou três deles somam mais de 100 páginas. A plataforma da empresa usa IA para acessar essas informações e foi treinada, segundo ele, com dados reais gerados pela própria Ciera. O fundador afirmou que a decisão final continua com o profissional de saúde.

A base de clientes ainda é pequena e concentrada. A Ciera tem menos de 300 profissionais ativos, termo que a empresa aplica a quem pediu ao menos um exame nos últimos três meses. A maioria é nutrólogo, endocrinologista, gastroenterologista ou nutricionista. A empresa quer chegar a dermatologistas, ginecologistas, obstetras, neurologistas e pediatras.

O exterior também está no plano. A Ciera tem representantes no Paraguai e em Portugal, e os pacientes coletam as amostras nos próprios países, que são processadas no Brasil. A estimativa da empresa é que o mercado externo responda por 6% a 8% do faturamento de 2026.

Pesquisa com a base de dados ainda não gera caixa

A Ciera avalia uma frente de pesquisa que usaria sua base de dados. Segundo a Exame, uma empresa já procurou a biotech para um primeiro projeto, mas o negócio não gera receita hoje. Pelegrino afirmou que a companhia não conta nem provisiona esses valores e que, na visão dele, eles devem se concretizar no médio prazo.

A origem da empresa é pessoal. Ex-executivo de comunicação da Eletromidia, de onde saiu em 2021, Pelegrino fez um teste genético que apontou alta predisposição ao Alzheimer, doença que matou sua avó. Ele também era sedentário e obeso, e mudou os hábitos depois do resultado.

Três fatores ainda pequenos sustentam a meta de 2028

A projeção para 2028 se apoia em itens que hoje têm dimensão reduzida: a base de menos de 300 profissionais ativos, a entrada em novas especialidades e a receita do exterior, estimada em até 8% do total. Como toda a receita vem do processamento de exames, o crescimento depende de convencer mais médicos a pedir o teste de forma recorrente. A frente de pesquisa, se sair do papel, seria uma segunda fonte de caixa, mas está fora das projeções atuais.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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