O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou neste domingo (11), em publicação na rede social X, que um ministro do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) telefonou para pedir desculpas por uma fala do presidente sobre a carreira política do senador. Segundo Ciro, o ministro atribuiu o comentário a um "princípio de esclerose" do presidente. O senador disse concordar com a avaliação, mas não identificou quem fez a ligação.
A fala de Lula que motivou o telefonema foi feita horas antes, em ato de campanha na avenida Paulista, em São Paulo. No discurso, o presidente comemorou a reeleição do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), eleito no primeiro turno com 70,90% dos votos, e citou o adversário derrotado na disputa pela vaga ao Senado pelo estado.
Lula, presidente da República, em discurso na avenida Paulista
Ciro ficou em terceiro lugar na corrida ao Senado no Piauí, eleição realizada em 4 de outubro, com 24,68% dos votos válidos. As duas vagas disputadas no estado foram para Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD), ambos aliados de Fonteles. Horas depois da fala de Lula na Paulista, o senador do PP respondeu nas redes sociais.
Ciro Nogueira, senador do PP
Uma disputa que começou no Piauí
O atrito entre os dois não começou neste domingo. Em comício no Piauí, no dia 9 de setembro, Lula disse que seus únicos candidatos ao Senado eram Júlio César e Marcelo Castro e completou: "para que a gente demonstre de uma vez por todas que a gente não aceita vira lata do nosso lado", fala interpretada como indireta a Ciro Nogueira, que disputava a reeleição mantendo o PP neutro na corrida presidencial. Na mesma ocasião, o presidente usou a expressão também para críticos que carregam bandeira dos Estados Unidos em atos de rua, associando a imagem a adversários alinhados ao bolsonarismo.
Ciro Nogueira é presidente nacional do Progressistas, partido do Centrão, e ocupou a Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro. Nesta eleição, ele tentava um novo mandato no Senado sem apoio declarado a Lula nem ao senador Flávio Bolsonaro (PL), que enfrenta o petista no segundo turno da disputa presidencial, em 25 de outubro.
O que muda na bancada do Piauí a partir de 2027
Com a vitória de Marcelo Castro e Júlio César, as duas vagas do Piauí no Senado passam a ser ocupadas por aliados de Fonteles e, por extensão, próximos ao governo federal. Ciro Nogueira, terceiro colocado, perde a cadeira que ocupava e o espaço institucional que usava para criticar o presidente publicamente sem romper de forma declarada com o Planalto. O desgaste ocorre num momento em que o Progressistas discute o grau de proximidade que manterá com o Palácio do Planalto até a posse do próximo presidente, em janeiro.



