O desenvolvedor Pavel Rabtsevich usou o Claude Code, ferramenta de programação da Anthropic, para identificar um possível exoplaneta em dados públicos do telescópio espacial TESS, da NASA, segundo o Canaltech em reportagem de 13 de outubro. O objeto teria cerca de 1,4 vez o tamanho da Terra e orbitaria a estrela TIC 4206066 a cada 3,18 dias. A distância até o sistema é de 116 anos-luz.
Rabtsevich é descrito como desenvolvedor e entusiasta de astronomia, não como pesquisador de uma instituição. O resultado foi enviado à equipe do TESS e aceito para análise, de acordo com o Canaltech. A estrela entrou na programação de observações do telescópio em novembro.
O que os dados mostraram
O sinal apareceu no fim de 2025, quando o brilho da TIC 4206066 passou a cair cerca de 0,05% por cerca de duas horas, em intervalos próximos de três dias. Esse tipo de queda é a assinatura clássica de um planeta que cruza a frente da estrela. Rabtsevich também examinou registros de 2018 e 2020 e encontrou 22 eventos de escurecimento compatíveis com trânsitos planetários.
Antes de apostar na hipótese, ele precisou descartar interferências e erros do instrumento, que podem produzir quedas de brilho parecidas. O Canaltech menciona ainda um possível segundo planeta no mesmo sistema, em órbita mais distante, mas a análise se concentra no primeiro candidato.
Onde entrou a inteligência artificial
Segundo o Canaltech, o trabalho levou cerca de duas semanas e envolveu mais de mil scripts e 74 procedimentos de verificação. O Claude Code processou os dados do TESS, escreveu o código de análise e ajustou os modelos matemáticos usados para prever os trânsitos. Para revisar etapas, Rabtsevich recorreu também ao Codex, da OpenAI, e a uma ferramenta chamada Jev.
Em um teste, ele escondeu parte dos dados e pediu que o Claude Code previsse as próximas quedas de brilho. De acordo com o relato do desenvolvedor, a ferramenta estimou o momento delas a partir do modelo. A própria reportagem ressalva que o resultado depende da qualidade dos dados e ainda precisa de verificação científica.
Candidato não é descoberta confirmada
O objeto segue classificado como candidato a exoplaneta. Para virar planeta confirmado, as observações de novembro precisam reforçar o padrão de trânsitos e a equipe deve afastar explicações alternativas, como outro corpo celeste ou falha de medição. Até lá, a manchete de que a IA descobriu um planeta é prematura.
O caso mostra o que a ferramenta já faz na prática: um indivíduo sem laboratório conseguiu varrer anos de dados públicos e levar uma hipótese testável a uma equipe da NASA. O desfecho depende do que o TESS registrar em novembro.



