A Cognition, startup americana criadora do agente de programação Devin, informou que sua receita anualizada chegou a US$ 900 milhões em setembro, quase o dobro dos US$ 492 milhões registrados em maio, segundo reportagem da Exame publicada nesta segunda-feira (28). A Bloomberg afirma que o Devin deve atingir US$ 1 bilhão nesse indicador ainda em setembro de 2026.
O Devin é um agente de IA que recebe uma tarefa de engenharia de software, a executa em um ambiente isolado e devolve o resultado para revisão de uma pessoa. A empresa é liderada por Scott Wu, CEO e cofundador.
Valuation quase dobrou em três meses
Em 8 de setembro, a Cognition fechou uma rodada de mais de US$ 2 bilhões que a avaliou em US$ 48 bilhões. Três meses antes, o valor de mercado da empresa era de US$ 26 bilhões. Andreessen Horowitz e Accel lideraram o aporte, e a Nvidia participou como investidora.
A Nvidia também aparece na outra ponta da relação: é cliente do Devin, que a fabricante usa em projetos de chips. A lista de clientes citada pela Exame inclui ainda GE Aerospace, Citi, Goldman Sachs e Mercedes-Benz, o que coloca a ferramenta em indústria, bancos e montadoras, e não apenas em empresas de software.
Concorrência e conta de servidores
O Devin disputa espaço com o Claude Code, da Anthropic, e o Codex, da OpenAI, duas ferramentas de programação com IA mantidas por laboratórios que também desenvolvem os próprios modelos. A Cognition compete, portanto, com empresas que têm acesso direto à tecnologia de base.
O crescimento vem com custo alto. De acordo com a Exame, a startup aluga um cluster de servidores da Nvidia por centenas de milhões de dólares ao ano. A publicação The Information, citada na reportagem, estima que a queima de caixa pode chegar a US$ 800 milhões em 2026. Ou seja, a receita projetada de US$ 1 bilhão em base anualizada ainda convive com um prejuízo operacional próximo de US$ 800 milhões no ano, se a estimativa se confirmar.
O que a rodada e o número dizem ao mercado
Receita anualizada projeta o ritmo de um período curto para 12 meses, e não equivale ao faturamento já contabilizado no ano. A própria Exame separa o que a Cognition comunicou (US$ 900 milhões em setembro) do que a Bloomberg projeta (US$ 1 bilhão). Investidores que pagaram a avaliação de US$ 48 bilhões apostam que a curva de maio a setembro continua, e que grandes empresas seguirão contratando agentes que escrevem código.
Para empresas brasileiras que avaliam ferramentas do tipo, os clientes citados servem de referência de uso em setores regulados, como o financeiro. A dúvida prática, que a reportagem não responde, é quanto desse custo de computação a Cognition conseguirá repassar aos clientes sem perder espaço para Anthropic e OpenAI.



