O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou nesta quarta-feira (30) a criação do Comando de Guerra Autônoma, nova estrutura militar dedicada a drones, robôs e sistemas de inteligência artificial, segundo a CNN Brasil. O anúncio foi feito em Quantico, na Virgínia, no discurso intitulado "Estado das Forças".
O que o novo comando vai fazer
A unidade ficará responsável por desenvolver e fornecer capacidades autônomas e robóticas a todas as Forças Armadas americanas. Terá à frente um oficial de quatro estrelas. Hoje, os Estados Unidos mantêm 11 comandos de combate, e o novo entra nessa lista como o 12º.
A CNN Brasil lembra que a última estrutura do tipo criada foi o Comando Espacial, em 2019. Ou seja, a decisão rompe um intervalo de sete anos sem novos comandos e coloca a guerra com máquinas no mesmo patamar institucional de áreas como o espaço.
Hegseth justificou a mudança dizendo que o ritmo da guerra está mudando mais rápido do que o processo para apoiá-la. A frase resume o argumento do Pentágono: a burocracia de compras e desenvolvimento ficou para trás da tecnologia que já está no campo de batalha.
Do armamento caro ao sistema barato
De acordo com a reportagem, a medida reflete o esforço dos EUA para migrar de plataformas de armas convencionais, de custo alto, para sistemas autônomos baseados em IA, mais baratos. A lógica é econômica e militar ao mesmo tempo: substituir equipamentos de grande valor unitário por unidades menores, produzidas em volume.
O exemplo citado é a guerra na Ucrânia. A matéria registra que, segundo estimativas, drones foram responsáveis por cerca de 70% das baixas russas. Esses aparelhos permitem operar à distância, com menos risco para pilotos, e se tornaram decisivos no conflito.
A criação do comando também se insere na disputa com a China pelo domínio da inteligência artificial aplicada ao setor militar.
O que a reportagem não responde
O texto não informa o orçamento do novo comando, o prazo para que entre em operação, o nome do oficial que o chefiará nem quais empresas fornecerão a tecnologia. São esses números e contratos que vão mostrar o tamanho real da aposta, e por enquanto não foram divulgados nas informações publicadas.
A reportagem aponta ainda a preocupação de especialistas com o desenvolvimento descontrolado da IA e com a rivalidade tecnológica entre Estados Unidos e China, em especial quando a tecnologia se aproxima de aplicações militares e de sistemas de armas nucleares. Para o setor de tecnologia, o anúncio indica que o maior orçamento de defesa do mundo passa a ter uma estrutura própria para comprar e implantar IA, o que tende a ser acompanhado de perto por fornecedores e governos aliados.



